domingo, 27 de agosto de 2017

Em honra a Hipólito Raposo



A voz dos mestres fala-nos das profundezas da história. Os seus ensinamentos são eternos, a sua conduta inspiradora, a sua moral inquebrável. Passou mais um aniversario da partida do mestre do pensamento português, Hipólito Raposo, do qual nem mesmo os rivais podiam acusar desvios de conduta, indómito, até ao fim permaneceu íntegro e coerente. Moldado na honradez e no sentido do dever jamais se vendeu ao reviralho. 

O Hipólito Raposo que agora lembro não será outro que não o doutrinador dos anos de guerra politica na velha Coimbra, em vésperas da revolta republicana. O mesmo impermeável às influências modernistas e aos desvairos da juventude empedernida no pecado do século: a revolução. Aquele Hipólito que, rejeitando o caminho dos católicos designados "democrata-cristãos", para os quais a forma do regime já não era importante, aceitando mesmo a República, reunidos em torno do CADC, efervesce monárquico e católico. 

Era então o "Beirão robusto e enorme" (Júlio Dantas dixit) jovem estudante e depois doutrinador de singular talento. Com ele a monarquia foi arrancada ao serôdio tempo do constitucionalismo liberal. Que regime podia propor? Jamais o da partidocracia, do parlamentarismo burguês oitocentista, desligado de qualquer concepção natural, metafísica, histórica. 

Pois que monárquicos há que enganados procuram modelos estrangeiros, pusilânimes, reivindicam a "monarquia" à inglesa, esquecendo as tradições pátrias e o exemplo dos nossos maiores. O doutrinador do Integralismo demonstrou como a monarquia orgânica e tradicional (i.e.a monarquia católica) podia formar-se, constituindo-se em torno da autoridade forte, embora reconhecendo os seus limites.  Determinou como o regime social em que a boa autoridade governa e domina os baixos instintos tem na realeza o seu expoente. Pela Realeza hereditária se alcança a estabilidade, enquadrada dentro dos princípios cristãos.

 A Monarquia portuguesa pensada nas suas antigas instituições e inspirada pelas velhas constituições do reino é a base fundamental, se para alguns não passa de passadismo ali ressurge a fonte de todo o pensamento político português.

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