terça-feira, 13 de setembro de 2016

causas da nossa decadência

Espanta-me que em sete século conseguíssemos a maior empresa da história ao lançar homens e engenho para além mar, sem tão pouco dispor de parlamentos e de partidos, e depois dos revolucionários de 1820, e de 1834, transporem para a nossa vida o modelo parlamentar e mui democrático, copiado às nações que viam como civilizadas, desde então nunca mais conseguimos feitos maiores. Feitos houve em períodos de campanha em África, na Índia, no Brasil, e o brio com que preservaram esse legado de além-mar, enquanto a gesta ainda dispunha de força. A partir de 1974, por motivos sobejamente conhecidos, perdido o que restava do outrora Portugal maior, ficou-nos a amargura. Em consolação agraciaram-nos com o Parlamento, as eleições e os partidos, em suma, a trindade democrática. Em sete séculos os nossos maiores não dispunham destas fórmulas e muito fizeram, inclusive tiveram aos ombros a maior tarefa, essa de edificar a própria pátria que hoje comungamos. Hoje a modernidade impávida é incapaz de se erguer do seu estado anémico. O povo é feliz, uma classe-média suburbana assalariada condenada à miseria na decadência derradeira do modelo social que a Europa foi largamente abandonado, por aqui ficou, o proletário moderno dominado por um sistema oligárquico que o dissolve da sua personalidade, enganado com as cantigas do individualismo liberal e julgando-se livre de todas as opressões quando na verdade perdeu todas as características da liberdade. Uma sociedade muito agradecida ao demo-liberalismo e cujo destino parece insondável na constante prevaricação de um modo de existir banal, onde a arte é reduzida a mercado e onde a originalidade é amordaçada pelos espíritos medíocres para quem o pensamento único, o pensamento comum, é o desejável, porque manipulável. Mas nem o saber dos antigos ensinou os modernos, nem os homens se cansaram de repetir os erros antigos preferindo-os como julgamento da incoerência em que caiu o mundo. Continuam em pleno século a apelar por revolução, como se fosse natural aos povos, e não uma excepção na história do homem, condenado pelo pecado original, dogma perfeitamente explicativo das causas da nossa decadência. Os homens em vez de seguirem o caminho da experiência preferem o da abstracção, que nem sempre abonam em boa sorte. 

Sem comentários:

Enviar um comentário