sexta-feira, 11 de março de 2016

Manent e a decadência da Europa

De Pierre Manent: "REPURPOSING EUROPE FOR A RENEWAL OF THE NATIONAL PROJECT". 
A decadência da Europa num mundo que parece ameaçar os seus fundamentos, depauperada na fé, esquecida dos seus valores, sem uma elite capaz de a regenerar, uma civilização faústica (como uma miríade de autores desde o século passado diagnosticaram). É verdade que a civilização Europeia se construiu em torno da cristandade e nasceu através de uma forma imperial (do Império Romano à Respublica Christiana), hoje composta por nações que se envergonham do legado ancestral, o que lembra a quebra do fio da trindade romana (como indicava Arendt) tradição-autoridade-religião, a ruptura iniciada pelos humanistas, seguida pela reforma com Lutero e Calvino, finalmente arruinada na procura de novos fundamentos que consumaram as revoluções modernas (da francesa à soviética). Nem tão pouco há como esconder as origens, ainda que do estado nacional se tenha abstraído um estado pós-nacional (incompatível e que perdeu toda a sua plausibilidade, a crise dos migrantes foi a prova). A relação do homem com a sua terra desligou-se do sagrado, e exige novamente a necessidade de recuperar o bem comum, o auto-governo e a fé na Providência. Como o autor expõe: "We need to recover the desire for and hope in a provident God if we are to restore the political order as the framework and the product of choice for the common good."
Será altura da Europa se reconciliar com o seu legado cristão e, seguindo a opinião do autor, é altura dos católicos avançarem para a praça pública e renovarem a credibilidade da comunidade política.

"I know that this question might appear strange, and yet self-government and petition for the protection of the Most High are two operations of freedom that are inseparable. Every action, and especially civic or political action, is carried out in view of the common good. This common good, which depends on us, is nevertheless bigger than us, too big for us. We are tempted to appropriate it wholly for ourselves, seeing ourselves as the exclusive authors of this good. When we do so, the nation becomes an object of idolatry, an idol that, in the name of its incomparable particularity or its unequaled universality, demands human sacrifices."(...) 
"Right now, we lack that ability. The idea of acting for the common good has lost its meaning for us. We do whatever it is we do not because it is useful, honest, or noble but because it is necessary, because we cannot do otherwise. In the name of a global marketplace, we have constructed a system of action that can best be described as an artificial providence. We tell ourselves that the only thing we can do, and the best that we can do, is to allow ourselves to be governed by the global marketplace. My, how we love this providence! How docile we are when its invisible hand comes down upon us! And how well the wise and powerful know how to interpret its dictates!"(...)

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