sexta-feira, 18 de março de 2016

A prudência como excelência




Prudence is not only the first in rank of the virtues political and moral, but she is the director, the regulator, the standard of them all.  Metaphysics cannot live without definition; but prudence is cautious how she defines.  Our courts cannot be more fearful in suffering fictitious cases to be brought before them for eliciting their determination on a point of law, than prudent moralists are in putting extreme and hazardous cases of conscience upon emergencies not existing.
Edmund Burke, Reflections on the French Revolution






Os revolucionários em França, em Portugal, em Espanha - e o mesmo se poderá dizer relativamente a qualquer revolução - projectaram construir uma sociedade ex novo, fazendo tábua rasa do passado como redimindo o homem de todos os pecados na promessa de um paraíso terreno. 
A sociedade é como um organismo, um complexo todo interligado que é muito maior do que a soma das suas partes. Não pode ser quebrada sem causar grandes riscos e sem lançar os homens para a ruptura total (a revolução). As instituições funcionam, não por causa de qualquer princípio racional, mas porque se têm desenvolvido ao longo dos séculos. É possível provar que funcionam e que são úteis ao homem.Elas ganham legitimidade de acordo com a sua antiguidade ou a sua prescrição, é impossível transpor instituições ou mecanismos de um determinado sistema político para outro, por vezes incompatíveis e indissociáveis, como temos visto acontecer em Portugal nos últimos duzentos anos. 
Burke analisava a este propósito e nestes termos a revolução em França, que deixou escrito num livro memorial: "Reflections on the French Revolution (1790)". Nesta análise considerava os vícios da revolução e ponderava como aperfeiçoamento e mudança são importantes em política, mas de forma gradual e orgânica, tal como o trabalho da natureza. Aqui os franceses tinham falhado e falharam os reformadores impacientes que arrastaram nações e povos para o caos. 
Para Burke, a França fora incapaz de reparar o velho fabrico da sua constituição. A liberdade é muito melhor garantida pela pluralidade de diversos interesses estabelecidos pela história e pela tradição (as pequenas pátrias, desde as famílias aos municípios, as realidades locais e regionais, que constituem o todo orgânico da nação) e não de declarações abstractas ou legislações revolucionárias tentando criar uma sociedade nova. 
A sociedade civil é natural, orgânica e, apesar de não ter qualquer força devida ou espírito próprio fora dos indivíduos que a constituem, não é tão insuficiente como Locke e Hobbes defenderam, uma entidade artificial, o resultado de um contrato entre indivíduos pré-sociais no seu estado de natureza. Burke era céptico relativamente a políticas radicais e a reformadores intelectuais. O que o whig procurava era a prudência como forma de excelência, chamando-lhe a "rainha das virtudes políticas". A prudência é um arrimo para pensar a política. Pode não ser o primeiro dos valores mas estrutura todos os restantes. Dá que pensar nestas palavras: "Prudence is not only the first in rank of the virtues political and moral, but she is the director and regulator, the standard of them all." 

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