quarta-feira, 2 de março de 2016

As ideias












O século XIX repetiu na Europa o credo das revoluções burguesas, onde os povos medravam na tibieza das crença levantou-se um eco de paixão e de revolta que apenas encontrava entrave na paixão e reacção dos povos em substractos culturalmente mais apagados das realidades modernas. Por modernidade entendendo o conjunto de ideias que desde o renascimento à reforma foram levantando eco do seu tempestuoso murmúrio, e será esse certamente o entendimento. O século XIX conformou esse espírito e conferiu-lhe legitimidade através dos seus códigos e constituições, paradigma do jusracionalismo e da própria ideologia que enformou o Estado. É o espírito de Garret em Portugal na Balança da Europa. Já não é o espírito de Oliveira Martins no Portugal Contemporâneo. Subjaz uma radical conversão entre a geração de liberais, o mesmo seria dizer, entre a geração romântica, e a geração socialista e proto-republicana. Noutros termos, entre a geração positivista e cultivadora da estética realista e naturalista, passam duas gerações, que vai de Garrett a Oliveira Martins, de Herculano a Eça. Camilo não podia sentir maior exílio no hemisfério perene dos génios.  Das certezas que alimentaram as primeiras gerações às incertezas que germinaram na geração de fim de século, há um fosso profundo. A geração de 70 dedicou-se a delapidar todas as grandes referências do constitucionalismo. O fruto da revolução é incompleto porquanto o liberalismo pudesse supor alcançado o estádio de perfeição do povo. A demolição do Antigo Regime (usando impropriamente a expressão amplamente difundida) significou a possibilidade de todas as aventuras. A Carta foi o apelo da Ordem à qual faltou a legitimidade e a coerência. A geração constitucionalista foi rebelde, porque as possibilidades alimentaram a omnipotência da vontade da revolução. A modernidade é uma hidra de muitas cabeças, sem dúvida.  

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