sábado, 6 de fevereiro de 2016

Salazar e Pétain ou as visões da história























“[Salazar] Enfim, realizei uma autêntica política de equilíbrio e neutralidade. No entanto, nunca deixei de honrar a figura venerável de Pétain. Inclusivamente, sempre partilhei dos seus ideais e sempre lhe testemunhei a minha solidariedade, mesmo quando a França de Vicky (e ele, portanto) passou a ser controlada pelos Alemães – um grande erro de Hitler…

- [Jornalista] Porquê? Não foi uma mera consequência lógica da política expansionista da Alemanha, da solidificação do seu poderio económico e militar?

- [Salazar] Hitler, com esse acto, cortou todas as possibilidades de negociação com a Inglaterra, e os Estados Unidos. Os países da Europa do Sul (França, Itália, Espanha, Portugal) poderiam ter constituído, sob a liderança do marechal Pétain, a União Latina, plataforma para um entendimento entre a Alemanha e a Inglaterra-Estados Unidos da América. Seria a única forma de conter o comunismo soviético, em vias de alastramento pela Europa. Hitler, na ânsia de tudo querer – e ser -, acabou por virar contra si Gregos e Troianos e contribuir para criar uma das confusões mais trágicas da História Contemporânea: a de que o comunismo constitui uma ideologia libertadora dos povos oprimidos. Enfim, um erro monstruoso, de que ainda estamos a pagar o preço.” 

in As Memórias que Salazar não Escreveu, de Albano Estrela).


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