domingo, 6 de dezembro de 2015

O despertar da França




Diz o pasquim Público:

Como dizia este domingo ao Libération um eleitor em Pas­-de-­Calais que estava na fila para votar, “a FN não representa os valores da França. Assim espero”. Assim esperamos.


O pasquim falhou na citação e falhou a extrema-esquerda franca ao analisar a situação. Infelizmente para a esquerda burguesa e socialista a senhora Le Pen representa os valores da França, infelizmente para eles a senhora Le Pen novamente voltou aos ideais da república francesa, quem não a representa são os tecnocratas e banqueiros que quiseram vender a nação francesa, os mesmos que ontem cantavam as internacionais, o fim dos Estado-nação, a destruição das pátrias, que sentiam vergonha do ocidente, esses nunca representaram os "valores da França", nem de nenhum país europeu. 

Apesar de não ser um grande admirador a verdade é que Le Pen provou que os anos da austeridade esvaziaram os regimes. A União Europeia que cantava o fim dos Estados-Nação mostrou-se errada no diagnóstico face ao despertar das pátrias europeias, lá choram os socialistas e social-marxistas, que cantaram as internacionais e todo o tipo de conjuras que delineavam a tal destruição das fronteiras e o fim das identidades: falhou! A geração de 68 que se tornou a pior das oligarquias do actual regime caiu por terra. 

O que ouço nas palavras de Le Pen são precisamente os valores da França republicana, mas de um novo tipo. Por um lado o nacionalismo que despertou com a revolução de 1789 e que foi apanágio de toda a mítica da "nação una e indivisível" (corolário jabocino); defende uma nação baseada nos ideias da república (liberdade, igualdade e fraternidade), mas, por outro lado, também a ideia de nação e Estado soberano aliado à tradição mais antiga da França que não esconde as origens católicas. 

É verdade que conjuga em si várias e diferentes ideias, apela aos católicos, mas defende o aborto, por exemplo. Defende a saída da França do Euro e da NATO (lembra alguma coisa?) com todo o discurso anti-capitalismo e anti-globalização. Se parece estar à direita não deixa de se aproximar da esquerda. Afastou-se das teses anti-semitas do pai e conseguiu lavar a imagem do partido. Pode-se acusar de demagogia, mas Marine Le Pen recuperou toda a apoteose dos discursos patrióticos, os banhos de multidão que os tecnocratas desconhecem, a grande oratória, a valorização de uma imagética nacional que é capaz de chegar ao francês médio, e é ele quem dá o voto de confiança a Le Pen. 

Depois de décadas de destruição massiva das identidades, da globalização, da americanização, a França devolve-se às origens. A Europa das pátrias desperta.

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