quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Contradições do laicismo?

para que conste: a imagem do progresso deste regímen,
uma caixa de fósforos, para breve 


O património histórico de Lisboa pode estar a cair aos pedaços, as demolições de arquitectura histórica podem continuar, a sujidade, a degradação, podem prevalecer, a suburbanização da zona que vai do Rato à Alexandre Herculano já revelou o que de pior podia fazer a Câmara de Lisboa, tão pouco lembrava o homúnculo que quis destruir os brasões da Praça do Império porque as insuficiências sexuais que o fazem homem de esquerda levavam-no a congeminar virozes contra o passado português (e assim se revela um pequeno tiranete), tudo isto pode acontecer, mas gastar milhões para construir (desnecessariamente) uma mesquita já se justifica.
 Já se sabe que para recuperar património nunca há dinheiro, para o destruir há sempre. Para recuperar igrejas nunca há dinheiro, até porque o Estado é laico e Deus é coisa de inquisidores, mas para erguer minaretes há sempre uns tostões. Aliás, a partir de 2017 essa será a realidade, o islamismo chegou meus senhores. Esse laicismo de pacotilha tão passadista e ainda a brincar com  o barrete frígido dá vontade de rir, não fosse tão trágico. Chesterton tinha razão quando afirmava que quem deixa de acreditar em Deus passa a acreditar em qualquer coisa, ainda que essa coisa seja completamente desfasada da realidade, ainda que essa "coisa" se chame multiculturalismo, i.e., a cedência perante os outros povos e o desprezo pela cultura nacional, o culto da vulgarização e a aceitação da globalização desenfreada.

A regra basilar do regímen traduz-se neste estado de coisas doentio, na medida em que se for para servir o dinheiro e as negociatas a CL é toda democrática, multicultural, progressista, contudo, se for para proteger o património cultural português, para defender a memória lusíada, para exibir o nosso orgulho enquanto nação, então, cuidado, que isso é coisa de salazaristas.
Os paradoxos servem toda a  linguagem do politicamente correcto com que ameaçam a nossa identidade. Se for para construir mesquitas ignoram o credo laico, porém, fosse o oposto, se se construísse uma igreja (ainda que desnecessário também, o que urge pensar é a requalificação daquelas que existem) a questão tornava-se mais delicada. Como se explica que o primeiro colégio da Companhia de Jesus (do mundo), localizado na Mouraria, esteja a cair aos pedaços?  Isto quando há milhões a serem desperdiçados?
Para que conste, a CL vai gastar 1,5 milhões de euros para a libertação dos prédios sitos entre os números 248 a 264 da Rua da Palma e os 137 a 151 da Rua do Benformoso, justificando a necessidade no sentido de "melhorar o espaço público", dizem eles. Leia-se que estes milhões servem para "expropriar", outros milhões servirão para construir a dita mesquita. Mas o imbróglio não acaba aqui. Saiba-se ainda que nenhum dos inquilinos que vivem na rua da Palma foi até agora contactado relativamente ao projecto que os vai despejar. Esta atitude da Câmara não deixa de ser curiosa ao pôr os portugueses num segundo plano para servir cegamente o multiculturalismo, um servilismo cego para cristalizar uma aparência aberta e democrática quando é na verdade uma decisão arbitrária. Podem justificar com todos os argumentos que tal não apaga a insensatez desta gente. Os edifícios estão devolutos e em mau estado portanto não vai fazer diferença, nem vai comprometer os grandes negócios, nem as negociatas, mandam-se uns quantos cidadãos para o olho da rua mas a justificação demoliberal e multicultural tudo justifica. E pergunto face a este rocambolesco programa:
- A CL recebeu alguma coisa da comunidade islâmica para a construção da dita mesquita?
- Precisa Lisboa de duas mesquitas?
- Fará sentido gastar dinheiros públicos nessas obras?

Em jeito de provocação oferece o espaço onde historicamente se assinala a reconquista de Lisboa, firmando a trágico-comédia apenas conseguida no país de Abril, onde se dá uma no cravo e outra na ferradura, a não ser para oferecer favores aos amigos, claro está. O F. Medina lá se diz orgulhoso e bem pode estar. Já o D.Afonso I deve estar a dar voltas no túmulo.
Não cessa o argumentário demoliberal, no sentido que encontram ao defender que o catolicismo deve ser remetido para  privacidade dos lares, como mandava a neutralidade liberal de oitocentos e como manda por estas bandas o laicismo (palavra que não significa nada), já o islamismo tem de servir a vontade da comunidade, tem de justificar a expropriação arbitrária de cidadãos aos quais não é facultada qualquer informação.
Mas eis que o laicismo tem as suas brechas, a neutralidade republicana face à religião demonstrar-se-á para breve falível, pois o que é que fará quando outras religiões exigirem também espaços de culto? Continuará a mostrar-se neutral e a procurar conciliar culturas antagónicas e credos que entre si despertam ódios mortais, e, na sua ingenuidade, procurará conciliá-los dentro de uma mesma tolerância republicana? Estes senhores que acordem para a vida.

1 comentário:

  1. Muito bom dia
    Só para informação sobre a esquerda (aquela em que, segundo o seu escrito epistolar, os homens têm disfunções sexuais que os tornam da dita), A Igreja de santo António à Sé viu serem aprovadas obras de conservação e restauro em parte devido à visita e requerimento à Presidência, efectuadas pelos Vereadores do PCP.
    Também em relação ao Colégio da Companhia de Jesus, foi alvo de requerimento, no mesmo sentido, pelos Vereadores do PCP.
    Mas poderemos ir mais atrás no tempo, quando era Presidente da Câmara um homem de direita (seguramente para si de indubitável virilidade), o PCP alertou e questionou sobre a destruição da Igreja dos Inglesinhos - única igreja de planta inglesa existente fora do Reino Unido - sem que a direita tão "generosa" com o património se tivesse minimamente importado.
    Porquanto em termos de respeito pelo património e multiculturalismo, penso que estamos conversados. Em matéria de disfunções sexuais, não sendo médico desconheço a prevalência ideológica das mesmas...Saberá talvez melhor do que eu.

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