quarta-feira, 3 de junho de 2015

Kaiser Wilhelm II, esse desconhecido




4 de Junho de 1941, morre o Kaiser Wilhelm II da Alemanha. Derrotado e vencido foi talvez dos mais odiados homens do século XX, ainda que a justiça tarde para esta figura renegada num século que conheceu todas as catástrofes. Um homem singular: grande orador, carismático, culto e apreciador das artes, tinha ao seu alcance o esplendor de uma era. Mas era também de temperamento irascível, instável e irritável, muitas vezes tendente a depressões. 
O neto preferido da rainha Vitória foi talvez o mais inglês de todos os alemães, a proximidade que sentia ao povo de além-Mancha faziam-no crer numa aliança futura. Errou tremendamente. Wilhelm admirava os ingleses,mas não os compreendia. Imediatamente a criação da marinha de guerra alemã levantou suspeitas à Britânia senhora dos mares. Entre outros erros diplomáticos (a política externa não era o seu forte), mormente a incapacidade para garantir o equilíbrio entre a Áustria-Hungria e a Rússia, impérios cuja sede de ambição nos Balcãs conduziria a Europa para o suicídio colectivo em 1914. O equilíbrio que Bismarck habilmente criara aos poucos começava a ruir. Aliás, o Kaiser afasta Bismarck da vida política. 
Mas Wilhelm II demonstra-se internamente um político hábil. É sobretudo um "imperador social" que para combater a ascendente força do partido social democrata institui uma legislação do trabalho sem precedente na Europa: desde leis sobre acidentes de trabalho, doença e velhice votadas entre 1882 e 1889 as quais formam, depois de Bismarck, o primeiro conjunto de reformas sociais, décadas antes da "revolucionária" e "republicanissima" França (aliás república burguesa e conservadorona). São também pensados pelo Kaiser Wilhelm II os tribunais arbitrais, o descanso ao domingo e a limitação das horas de trabalho. Juntamente com Bismarck, Wilhelm é o arquétipo do revolucionário de topo, como o fora na Rússia um Alexandre II, e, entre nós, o nosso rei D. Carlos. Do que mais gostava era das encenações, as grandes demonstrações militares, contudo teme a guerra, um paradoxo interessante neste monarca.
 Esse "teatro" fazia-o talvez ignorar a realidade do seu próprio poder: Wilhelm estava limitado como rei constitucional, mas ao mesmo tempo está politicamente na vanguarda dos novos tempos: apercebe-se de elementos políticos importantes que no futuro definirão a política de massas: os discursos, a grande oratória, a ideia do soberano reflectir a vontade do povo, são constatações que fazem dele sobretudo um estadista moderno. Acredita ainda assim no direito divino, mas não ignora que o poder deriva da nação, o que é interessante no seu pensamento: tradicionalista e revolucionário, conservador politicamente, mas um socialista que se vai afirmando, aliás, é graças a ele que a lei que reprimia os socialistas é revogada, aceita também que se constituam partidos políticos, da direita conservadora da nobreza prussiana, ao centro católico, à esquerda os sociais-democratas, e a burguesia dividida entre liberais nacionais e liberais de esquerda.
 É a Alemanha do grande fomento industrial, mas também da cultura e das ciências, que a Europa reconhece nos inúmeros galardoados com o Nobel, ou que são reconhecidos nas letras, na pintura, nas reformas políticas. Que mundo se perdeu. O Kaiser Wilhelm II é uma das mais interessantes figuras do século XX, admirado e odiado, merece ser estudado com atenção e com a relevância necessária.





Heil dir im Siegerkranz,
Herrscher des Vaterlands!
Heil, Kaiser, dir!

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