domingo, 12 de abril de 2015

O fantasma da guerra civil


Exército negro da Confederação


A 12 de Abril de 1861 rebentava a guerra da secessão, um fantasma que continua a pairar sobre os Estados Unidos - nações divididas pela guerra civil dificilmente superam a gangrena moral que as divide. O problema simplificou-se num paradoxo que vê ainda na contenda a divisão entre o Norte industrializado anti-esclavagista e o Sul tradicional e esclavagista que não queria abdicar do seu status quo. O que seria banalizar a essência da questão que originou a mais sangrenta das guerras, tão ignorada (infelizmente) na Europa da época, sem que alguém compreendesse como este conflito prefigurava de certa forma a "modernidade" (antecipava o século XX). Numa jovem nação ainda escassamente povoada , com cerca de 32 milhões de habitantes, custaria a vida a 620 mil almas, muito superior a qualquer outra guerra travado pelos EUA, incluindo a Segunda Grande Guerra.

A busílis da questão era de teor constitucional, um princípio forjado pelos "founding fathers", nos termos do qual tudo aquilo que não for competência expressa da União cabe aos Estados decidir (ideia que se pode extrair da X Emenda). Os EUA resultam de um acordo entre os Estados que abdicavam de uma parcela da sua soberania para a depositar nas mãos do governo federal: legalmente os estados podiam separar-se da União à qual tinham aderido de livre e espontânea vontade. Ademais, os estados de Virginia, New York e Rhode Island, ao assinarem a Constituição tinham incluído uma cláusula que lhes permitiria separarem-se da União no caso de o novo governo se tornar "opressor".

O que verdadeiramente estava a ser discutido não era a preservação da escravatura, mas o direito constitucional à secessão. O argumento da escravatura foi bandeira imediatamente erigida no pós-guerra na diabolização do sul, cuja economia se baseava essencialmente na agricultura e na exportação de algodão, exigindo para tanto baixas tarifas alfandegárias, entrando em conflito com os interesses do norte, mais voltado para uma incipiente produção industrial, determinado em proteger seus mercados internos. Lincoln viu-se então envolvido numa guerra, não para libertar os escravos (como romanticamente o ingénuo leitor podia supor) mas para preservar a união. Lembro-me de uma observação de Eça de Queiroz no livro "O Conde de Abranhos": "Na Rússia autocrática, a vontade de um só Homem, do Czar, realiza com uma palavra o que a América do Norte só pode conseguir despendendo milhares de milhões e regando o solo de sangue..."





I wish I was in the land of cotton,
Old times dar am not forgotten,
Look away! Look away! Look away! Dixie Land.
In Dixie Land whar' I was born in,
Early on one frosty mornin',
Look away! Look away! Look away! Dixie Land.

Sem comentários:

Enviar um comentário