quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Rodrigo Emílio, Presente!





Há homens cujo destino parece traçado desde o primeiro dia, fadados tanto para a glória como para a tragédia, Rodrigo Emílio prevalece nesse grupo.

A ascendência legara-lhe a excelência das letras, não fosse ele filho do poeta e crítico Rodrigo de Mello e bisneto do poeta Tomás Ribeiro, além de trazer na alma toda a vasta tradição portuguesa desde Camões a Camilo. Aquele vigor que lembrava a gesta medieval, a irreverência bocagiana, a cultura de um Portugal maior que se perdeu para sempre.

Pertencia a essa casta de homens que aliam o talento à audácia, a inteligência à coragem, por isso sofreu o isolamento dos contemporâneos, por isso escolheu o exílio a viver exilado na própria pátria. Homem frontal, sem papas na língua, de verbo acutilante, de palavra versátil. A cultura portuguesa deve-lhe muito e, contudo, de forma criminosa dele se esquece.

Sofreu as vicissitudes políticas sem se deixar abater, quando não ser de esquerda provocava iras aos democratas da revolução, aqueles do "quem não está connosco está contra nós".

Rodrigo Emílio prevalece ao lado de um Céline, de um Brasillach, de um Rebatet, de um Ezra Pound, homens de carácter incorruptível, que mesmo face à derrocada prevaleceram incólumes e íntegros. Ele foi ,na verdadeira acepção, o poeta soldado.

De Rodrigo Emílio recordo um episódio contado por Rui Teodósio, em "Rodrigo Emílio: Presente!", quando o poeta estava a ser julgado num processo político:

"Nunca mais me irei esquecer de muitas das suas palavras perante os juízes, mas há uma frase que de tempos a tempos me assalta o pensamento; foi a sua resposta à pergunta dos juízes:
- "Sr. Rodrigo Emílio, como caracteriza a Democracia?"
- " Sr. Dr. juiz, para mim, a Democracia é uma linha recta."
O Juiz intrigado pela sua resposta perguntou:
- "Uma linha recta, Sr. Rodrigo?"
A sua resposta foi pronta incisiva e cheia de vigor:
"Sim, Sr Dr. Juiz, uma linha recta, não tem principio, não tem fim e não tem ponta por onde se lhe pegue"

Rodrigo Emílio, Presente! (sempre)

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