terça-feira, 27 de março de 2018

A grande cegueira


Discutir com os insignes doutores da Causa Real é uma paródia, ali ouve-se de tudo, da "Monarquia democrática", axioma que floresce como corolário vazio de todas as concepções, até à negação do catolicismo e à confusão entre a realeza e o mero populismo, ignorando que a monarquia nada tem que ver com o sufrágio popular de que os demagogos de hoje ou os césares de ontem sempre procuraram... A monarquia funda-se numa verdade superior, pois que a paixão pelo sufrágio nada tem de monárquico. Já para não falar nas lonas cantaroladas em torno das maravilhosas monarquia nórdicas, argumento ao mesmo tempo sedutor (pelo raciocínio simplista) e falso. 
 Os que falam, (i)legitimamente, em referendar o regime, talvez pudessem supor que um rei, nascido do voto da maioria, um dia, talvez, venha a ser exilado pelo voto da igual maioria. Tudo muito democrático e tudo muito legítimo, claro está. O que não se entende é como o mais natural dos governos seja reduzido ao enxame das vontades apaixonadas, que certamente não aceitarão qualquer cabeça coroada. Os povos habituaram-se à desordem, o paradigma da revolução é a sina dos nossos dias, à qual, falta certamente, uma reacção, pois só os cadáveres em decomposição é que não reaccionam contra os vermes que o devoram, esses não libertam as energias vivas necessárias para atacar os erros do modernismo e da revolução. Terreno cedido é terreno perdido, lembrava-nos Thomas Molnar, e muito terreno já perdemos.
O que de mais notável encontramos é a negação da própria monarquia. O que muitos desejam é uma república coroada, no pior sentido, no sentido de esvaziar a instituição real do seu significado, de uma Verdade (a fé Católica), para a preencher pelo erro, a nova religião das massas e do democratismo.
Tal como Pio IX referiu em relação aos "católicos-liberais", é possível adaptar para o caso, pois que os "monárquicos" liberais estão com um pé na verdade e outro no erro, a verdade é a monarquia, o erro é o demo-liberalismo.

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