segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Uma escola para a cristandade, "martírio de hereges e luz de Trento".




Aquela que foi a prestigiada escola da cristandade, que iluminou com a sua fé ciências tão diversas como a economia, o direito e a política, que recuperou a escolástica e o tomismo para fazer frente às grandes heresias do seu tempo e que hoje pode ser libelo profundo para atacar a decadência da modernidade. O grande comércio de ideias que se estabeleceu entre Coimbra, Évora e Salamanca foi expoente máximo do pensamento Ibérico que, nos anos conturbados da reforma, e marcados pela divisão da cristandade, constituíam a férrea frente de combate intelectual contra o protestantismo. A mesma escola que levou para o Novo Mundo as teorias do Direito Natural e ajudou a propalar o ensino. Que nos ensinou, pela insigne pena de Francisco de Vitória, que o Direito e a moral representam uma entidade indissolúvel, apostolando a ideia de que a lei em si mesma constitui um meio para alcançar a justiça. Que desenvolveu o direito internacional e, inspirado pela mais alta teologia, na América defendeu o direito dos índios, na eloquência de Suarez, e novamente no verbo superior de Vitoria, concluindo também que o Imperador reinava sobre uma comunidade de povos livres. No epicentro do império global foi verdadeiramente farol do mundo. A Península Ibérica sagrou-se, nas derradeiras palavras do historiador Menendéz y Pelayo, como "martillo del hereje, luz de Trento, espada del Pontifice, cuna de San Ignacio".

terça-feira, 25 de outubro de 2016

celebrar o quê?

 Comunicado da Causa Tradicionalista:
"ANTÓNIO GUTERRES, FUTURO SECRETÁRIO-GERAL DA ONU: NADA PARA CELEBRAR. 
A Causa Tradicionalista não partilha do júbilo e satisfação com que o falso patriotismo de alguns acolheu a eleição de um português para o cargo de secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU). A ONU não tem outro propósito que o de prover uma falsa legitimação colectiva às decisões diplomáticas e bélicas do clube dos países vencedores de uma guerra mundial em que Portugal nem sequer participou. Tal legitimação não é possível, nem à luz dos princípios que os seus membros - a república portuguesa incluída - declaram acordar como os seus fundamentos políticos; princípios esses que são inaceitáveis para qualquer tradicionalista português, à luz da origem cristã que defendemos para toda a legitimidade. Por essa razão e, como não poderia deixar de ser, raramente existe acordo para que resoluções do Conselho de Segurança da O.N.U. sejam tomadas e ainda mais raramente acontece que estas tenham justa causa e efectiva consequência. Na Causa Tradicionalista não esquecemos também que Portugal foi, durante quase duas décadas, ostracizado na O.N.U. pela sua política ultramarina; a mesma O.N.U. que hoje se mobiliza, na pessoa do seu enviado Staffan de Mistura, para proteger a Al-Qaeda na Síria (Jabhat Fateh al-Sham, antes Jabhat al-Nusra). Por seu lado, a escolha do Eng.º António Guterres também não dá motivos para alegria: conhecido por "deixar o país de tanga" - trapo que os seus sucessores se encarregariam de remover - aceitou liderar um partido político que promoveu a proposta de lei de despenalização do aborto de 1998, apesar de se dizer católico e supostamente ter votado contra no referendo com o qual lavou as mãos do sangue dos inocentes.
Em resumo: a O.N.U. e o Eng. António Guterres equivalem-se e merecem-se, assim como os portugueses que se congratulam com esta eleição. Os outros portugueses, conscientes de que o melhor interesse de Portugal só o pode ser em harmonia com a sua missão histórica e com a sua tradição política, esses devem apoiar a Causa Tradicionalista e a ela afiliar-se como associados." 
Luís Andrade Dos Santos

domingo, 23 de outubro de 2016

Desfazer antigos mitos: o reinado de D.João V




A historiografia oitocentista tudo fez para denegrir este grande monarca, da pena de Oliveira Martins saíram os maiores impropérios em desenhos obscuros de um rei "beato" e "lúbrico". Toda a historiografia positivista deixou traços grotescos do soberano que hoje facilmente se desmentem. Contemporâneo de D.João V, o baiano Sebastião da Rocha Pita, autor da "História da América Portuguesa" (1730), legou a imagem de um rei devoto e generoso, qualidades que a condição exigiam para o exercício do bom governo. As acções personalisticas do rei demonstram mais o seu carácter prático do que a preocupação em construir uma doutrina, a "monarquia absoluta" obscurecida pela pena infiel dos liberais deixará esquecer a grandiosidade da sua política. É verdade, acuse-se, que deixaram de se convocar Cortes a partir de 1720, todavia, o rei concedia audiências públicas três vezes por semana, nas quais atendia não só a nobreza como qualquer concidadão. A protecção das fronteiras e das rotas comerciais com o Oriente e com o Brasil foram sempre a prioridade. Ao longo do século XVIII os vice-reis da Índia foram sempre homens de inegável mérito e, com o impulso da Companhia de Jesus, Portugal construiu uma verdadeira cultura internacional.

O fausto das entradas dos enviados portugueses às cortes europeias ajudou a conquistar a paridade de tratamento com as grandes potências da época. Junto à Santa Sé investiu igualmente a afirmação do reino, com momentos de maior tensão também, valendo a insistência e capacidade diplomática de D.João V para em 1748 lhe ser atribuído o título de "Rei Fidelíssimo".

No quadro das artes e da cultura, ao contrário do que a historiografia positivista proto-republicana alimentou, descobre-se uma verdadeira política artística. Muito do ouro brasileiro foi investido, não em caprichos pessoais, mas em belas colecções de pintura e gravura. Foi o criador da Academia Real da História, o que demonstra o empenho do monarca pela cultura. Na Real Academia ajudou a desenvolver o desenho, a gravura e a impressão em Portugal. As práticas de legitimação da monarquia foram sendo reformulados, desde a disciplina da sociedade de corte, à criação de espaços de representação, como o palácio e Convento de Mafra, onde disponibilizou a mais representativa biblioteca do país, a par com a Biblioteca Joanina, na Universidade de Coimbra. Majestosa e imponente, Mafra é o emblema por excelência do reinado joanino exemplo da política artística perdulária e expoente máximo do barroco. A corte Joanina alcançou assim a preeminência cultural, o reino consolidou a independência e granjeou o respeito internacional ombreando com as potências da época.

sábado, 22 de outubro de 2016

Imperador Carlos da Áustria, o último monarca da tradição


publicado para a Causa Tradicionalista 


O último Imperador austro-húngaro permanece enquanto símbolo remanescente da ordem tradicional na Europa, aquela ainda resistente à revolução francesa e sucumbida com a grande guerra, "o suicídio da Europa civilizada", como lapidarmente referira o Santo Padre Bento XV, apóstolo da paz, a quem o Imperador Carlos dedicava especial atenção. Como rei católico servia lealmente o juramento e sentia o pesado peso da coroa de Santo Estêvão como missão apostólica para com o império ameaçado. A monarquia é um dever sagrado destinado a prover a salvaguarda do povo. Essa vocação podia ser comprovada nas atitudes para com os mais humildes, no amor ao próximo e no sacrifício para com os desfavorecidos, a missão de Cristo era no Imperador o corolário de todas as virtudes. Aliás era casado com a Princesa Zita de Bourbon, neta do nosso rei D.Miguel por via materna (a mãe era a Infanta D. Maria Antónia de Bragança). 

Na dianteira dos acontecimentos, tudo fez para impedir que a grande hecatombe se prologasse, chegando a desenvolver conversações com o rei dos belgas (Alberto I) para alcançar uma proposta de paz com os aliados. Sabia que a salvaguarda da civilização europeia dependia da resistência do império, o delicado equilíbrio criado por Matternich aquando do Congresso de Viena e mantida por Bismarck, estava prestes a desabar, levando consigo a Áustria-Hungria e fazendo sucumbir os velhos tronos. 

Dentro do seu pragmatismo concebia uma confederação de estados para acalmar os ânimos nacionalistas entre os povos do império. A visão do imperador Carlos era motivada pelas doutrinas sociais da Igreja. Influenciado por Leão XIII foi um monarca reformista que no império criou o primeiro ministério para assuntos sociais. Ardoroso pacifista aos prisioneiros políticos deu-lhes amnistia. O mesmo confessou: «Todo o meu empenho é sempre, em todas as coisas, conhecer o mais claramente possível e seguir a vontade de Deus, e isto da forma perfeita».
Não apenas devoto ao povo, mas também à família, inculcando nos filhos o mesmo sentido de responsabilidade, enfatizando neles a formação cristã e o amor ao próximo. Fundamentos tão necessários para reflectir, num tempo dominado pelo materialismo liberal, pela decadência na moral, pela dissolução dos vínculos antigos e na ameaça à antiga instituição da família.

O resultado final, logo com o desfecho da guerra, foi o afastamento do imperador. Acabou exilado. Da Suíça, partiu para Espanha e depois acabou em Portugal, na Madeira. Mas nunca desanimado, ao monarca bem podia aplicar as belas palavras do Salmo “O Senhor é o meu pastor, nada me faltará”, enquadrando tão bem o espírito coerente e integro daquele devoto, nada lhe faltou, mesmo nas alturas de maior miséria, mesmo nos momentos mais tenebrosos. Tal como o Apóstolo das Gentes, depois de uma vida grandiosa de luta e entusiasmo, bem poderia proferir: "Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. Resta-me agora receber a coroa da justiça, que o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia, e não somente a mim, mas a todos aqueles que aguardam com amor a sua aparição.”

Beato Carlos da Áustria rogai por nós


Imperador da Áustria e Rei da Hungria e Boémia.


 «Todo o meu empenho é sempre, em todas as coisas, conhecer o mais claramente possível e seguir a vontade de Deus, e isto da forma perfeita»

domingo, 16 de outubro de 2016

16 de Outubro - execução de Maria Antonieta



Última comunhão de Maria Antonieta na prisão (original:"La Reine Marie-Antoinette communiant dans sa prison") da autoria de Michel-Martin Drolling, cruzando elementos do neoclassicismo característicos do tempo, igualmente transpondo influências do barroco que Drolling tinha conhecido depois de viajar para Roma. Os protagonistas parecem vagar no desconhecido apenas arrimados na dor e no sofrimento, na fé e na salvação, aqui o romantismo do tempo ganha vivacidade. O sofrimento é preenchido pela expressão da fé, descobrindo-se como no traço ecléctico o autor explora os movimentos com uma certa teatralidade. 
Não deixa de suscitar um fascínio temeroso, porém o momento nunca aconteceu. Na verdade a história decorre nos seguintes termos, o padre Magnin, ali retratado, e Mademoiselle Fouché, visitaram secretamente os prisioneiros em Conciergerie no atribulado ano de 1792, o que para todos os efeitos constituía uma empresa perigosa no mais sanguinário período da revolução. Uma vez na prisão conseguiram aceder à cela da rainha (aparentemente com a conivência dos guardas) onde celebraram a missa. Parece pouco provável que tenha acontecido, mesmo que hipoteticamente tenha tido lugar não teria decorrido como Drolling imaginava. 
A temática vivifica a idealidade restauracionista, o gosto pelos acontecimentos históricos explorados na perfeição minuciosa, cada elementos na reconstituição dos trajes e os detalhes mais subtis das expressões, são sagrados ao olhar. Os contrastes claro-escuro são sintomáticos do pathos que explora o momento derradeiro de crise e de fé, ao mesmo tempo o martírio e o sacrifício estudados nos elementos auto-reflexivos e na intertextualidade pictórica que o século XIX explorará de forma tão profícua. A pintura eleva a santidade do acontecimento. Maria Antonieta olha a hóstia nas mãos do padre na busca da salvação, sem suscitar maiores comoções conotar-se-ia à mera identificação de um evento na história. Seria expectável procurar a fidelidade monárquica ao catolicismo, ou o desespero no momento de perdição que os românticos no seu gosto pelo sentimentalismo mais fatalista tanto glosaram. Não obstante a obra é algo mais do que um evento religioso, algo mais assinalável do que o parágrafo histórico, invoca a ideia de redenção e de salvação no seu sentido mais derradeiro. Ademais, a ideia de salvação cristã neutraliza a fatalidade histórica, o momento alcança o estado absoluto, tão superior à mundanidade. Mesmo imaginado constrói-se ao nível do mito e mesmo que historicamente refutável perdura na dimensão infinita do sagrado. É aqui que a eloquência de Drolling supera a mera convenção da arte, a mera perplexidade face à fatalidade da história, o sentimentalismo cristão e a melancolia romântica vão de mão dada. Percebe-se como as opiniões dos contemporâneos foram tão dissonantes, Para Victor Hugo a obra era simbólico do "mau gosto da restauração", para o padre Lafont d'Aussonne constituía um "evento fabuloso", mas certamente a nós recorda, nestes tempos marcados pela fealdade e pelo grotesco, onde a arte se vendeu ao comercial e onde o homem perdeu os laços com o transcendente, como através da beleza se pode conhecer a Deus.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Apoiem a Tradição


Apoie a Causa. Não vem de hoje, mas de sempre, pelo menos já anda desde 1828 a combater em nome das verdades eternas, em nome de Deus, da Pátria, e do Rei Legítimo, em nome do credo português. 



NOS LIBERI SUMUS, REX NOSTER LIBER EST, MANUS NOSTRAE NOS LIBERVERUNT!

terça-feira, 11 de outubro de 2016

No principio era a Verbo

A todos quanto entusiasme o pensamento tradicionalista e católico, a todos motivados em confrontar a mentira ideológica da modernidade e combater os falsos dogmas do liberalismo, a leitura da revista Verbo é essencial.  Estas páginas combativas já resistem há mais de 50 anos, ao serviço da formação cívica e da acção cultural segundo o direito natural e cristão.

Aqui pode pesquisar os vários números. 

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Chamamento às hostes

SAR na FDL no dia 19 de Outubro.

"Chamamento às hostes! SAR Dom Duarte de Bragança em conferência da Nova Portugalidade

A Nova Portugalidade, seguindo a seu desejo de fazer-se um movimento de presença pluricontinental, lançará em Portugal um ambicioso ciclo de conferências. O seu primeiro orador será, para explorar o património espiritual que continua a fazer a união do mundo português, SAR Dom Duarte Pio, Duque de Bragança e herdeiro dos Reis de Portugal. Estão convidados todos os amigos da Portugalidade, pedindo-se aos interessados que dêem aqui, através da página, confirmação da sua presença. Entretanto, para ajudar na divulgação, partilhe o cartaz e fale do evento aos seus amigos!"

Fonte: Nova Portugalidade