sábado, 26 de março de 2016

ALELUIA


  Sábado de Aleluia quando Jesus resgatou as almas presas no inferno. 
Ícone do fim do século XIV actualmente no Museu de Arte Walters, em Baltimore.

sexta-feira, 25 de março de 2016

A verdade

É conhecida aquela passagem no Evangelho Segundo São João quando Cristo declara que a sua missão é entregar a verdade e Pilatos então questiona "O que é a verdade?" A referência à verdade não era nova em Jesus, anteriormente ja tinha dito que a verdade nos libertará (JN 8:32). Na ultima ceia disse-o tambem aos apostolos. O que muda na referencia à verdade naquele momento em que Pilatos fala é o contexto. Jesus prepara-se então para o sofrimento. Esta dor não é de todo em vão. Ensina-nos que a verdade pode ser dolorosa, e pode ser particularmente penosa, um peso maior quando somos obrigados a enfrentar as consequências das nossas próprias escolhas.
 A verdade liberta mas ao mesmo tempo provoca dor. Dolorosa sobretudo quando temos de ser responsáveis. E a responsabilidade pode ser árdua. Ao mesmo tempo viver na mentira pode revelar-se um sofrimento ainda maior. A verdade liberta-nos, a mentira aprisiona-nos.
 A verdade obriga-nos a assumir responsabilidades. A responsabilidade perante os recem-nascidos, perante o casamento e perante a vida. A verdade no casamento, entre o homem e a mulher, e a verdade perante aquele que ainda não nasceu. O homem sabe que é responsável perante a mulher, a mulher perante o homem. A mulher sabe que a responsabilidade que tem é a de trazer o filho ao mundo. Caso contrário a família é uma mentira, e é essa mentira que os ideólogos querem fazer passar com as leis da eutanásia, do aborto, da adopção e do casamento por casais homossexuais.
A Pascoa deve ser um momento  para reflectir sobre a  bondade do Senhor. Temos de procurar essa bondade na Sua sinceridade e na Sua verdade. Apenas a verdade nos pode libertar.

domingo, 20 de março de 2016

Alma católica em corpo protestante






















Vou agora generalizar o que no texto anterior descrevia. As nações que herdaram a cultura católica (os povos latinos e mediterrânicos) não recuperaram da sua "agonia", uma palavra que bem nos define e tão caracterizadora de uma alma particular dada mais à nostalgia do que ao optimismo. Em suma, não recuperaram dos duros golpes dos últimos 200 anos e nem tão pouco encontraram as formas institucionais congénitas à sua cultura. 
O amor que sentem pela liberdade pessoal, o seu pessimismo e o seu orgulho leva-os a desconfiar das instituições copiadas ao protestantismo: o Parlamento, os partidos, a constituição. Talvez não por acaso as nações católicas têm sido desde sempre descritas como "irrazoáveis" e "não cooperativas", e o mesmo se aplica aos países Ortodoxos (a Grécia principalmente). 
A forma como um juiz conduz um processo, ora no caso Sócrates, ora no caso de Lula (até nisto há semelhanças) revela muito da falta de imparcialidade da justiça, ou como o império da lei das constituições protestantes é rapidamente desviado numa cultura católica onde a sede de absoluto leva ao exagero e como a divisão de poderes (entre o poder político e o poder judicial) é efémero. Portugal e o Brasil, mesmo dizendo-se Estados democráticos e brandindo constantemente o valor da democracia, da "ética republicana", dos sempre invocados “Direitos do Homem”, no fundo, as mesmas charengas de há duzentos anos, pelo menos desde a revolução de 1820, em Portugal, e do grito do Ipiranga, em 1822, na verdade, estes países não sabem ser democráticos e não conhecem o liberalismo (concepção do norte da Europa). 
O instinto volta-se para a censura, por vezes para a auto-censura, e para a repressão. Certamente nações que podemos caracterizar como"demófilas", mas muito pouco "democráticas". 
Somos ambas culturas de paradoxos. Adaptando uma perspectiva conhecida de Kuehnelt-Leddihn que caracterizava o carácter dos povos católicos, estas nações (herdeiras da cultura católica) são ao mesmo tempo violentas e extremas, tanto como são individualistas, tão cínicas como devotas, dificilmente se dão ao respeito ou à reverência. Ao mesmo tempo são indisciplinadas e cépticas, de algum modo adaptadas a este mundo, mas, ao mesmo tempo, também vivem afastadas do terreno. São fortes tanto no seu ódio como na sua afeição, orgulhosas, e mais admiráveis em circunstâncias de grande tensão do que diariamente. 
Sem tradição parlamentar, tão pouco logram adaptar instituições quando estas nada têm a ver com a sua cultura. Nos países católicos (e o mesmo serve para os países ortodoxos), se uma força derrotada se se apercebe de que há uma outra maneira de atingir o poder, fá-lo, nem que para isso tenha de fechar o Parlamento ou no extremo impor uma ditadura militar ou provocar uma guerra civil. Tanto o Brasil, como Portugal, vivem hoje  tensões profundas, essas crises de forma genérica têm uma causa, a tensão duma alma católica estar presa a um corpo protestante, um dia, quem sabe, quebra-se o espartilho e conheceremos a verdadeira personalidade de um povo. 

sábado, 19 de março de 2016

Similitude e exageros









O Brasil efervesce no desânimo. Lula passou de pai dos pobres a visão completa do mal. Não seráum acaso. O Brasil é um prolongamento de Portugal tal como os Estados Unidos são um prolongamento da Inglaterra. Ambos prolongam a Europa num indefensável sentido controverso, duas nações de dimensões continentais que são a plataforma das virtudes e dos vícios do continente levados ao extremo. Os EUA foram construídos em torno da ideia da common law, na concepção federalista e de liberdade, as comunidades que o construíram relacionaram-se em torno de um Estado de Direito que obedecia ao império da lei, ideias partilhadas pelas culturas protestantes. 
O Brasil cresceu como Portugal, à sombra da Igreja Católica e os jesuítas desempenharam um importante papel no seu desenvolvimento. Enquanto os nomes que os Estados Unidos legaram na construção da sua identidade é encimada por juristas - os Pais Fundadores quase todos terra-tenentes, donos de escravos, alguns maçons, entre a centena de políticos que conceberam a nova República só um era católico. Já o Brasil cresceu no pensamento de homens como o Padre António Vieira, enquanto os Estados Unidos sempre tiveram uma forte reacção ao catolicismo apesar dos católicos, como Tocqueville descreveu, terem tido um papel fundamental. Outro, a família real britânica nunca se instalou nos Estados Unidos como a família real portuguesa no Brasil. 
A unidade do Brasil deveu-se assim à Igreja e à Monarquia. Depois quiseram, com a República, separar-se destes dois elementos, e criaram os Estados Unidos do Brasil. O projecto federativo falhou, não diminuiu, mas pelo contrário aumentou as desigualdades. Gilberto Freyre notaria a incongruência em copiar uma nação protestante (EUA). Os povos católicos têm essa tendência a preferir o que vem de outras culturas (principalmente as protestantes). Freyere notava ainda como o Brasil tendia para se aproximar mais de uma Venezuela do que de uma Suíça e hoje percebemos porquê. Na nova capital (Brasília) Kubitschek tentou recriar o espírito protestante da divisão de poderes, mas não basta uma arquitectura para definir um regime, nem tão pouco para moldar um povo. Falar em continuidade ou estabilidade é uma miragem. Aliás, instabilidade que parece histórica, pensando que as sociedades católicas nos últimos 160 anos têm vivido conflitos intelectuais e psicológicos de uma natureza mais revolucionária do que evolucionária. Devo começar logo por salientar de que tudo o que Portugal, Brasil Espanha, Itália produziram foi copiado dos países protestantes (o Estado de Direito, os partidos, o Parlamento, as ideologias). Podia também dizer o mesmo dos países de cultura ortodoxa. 
O Brasil várias vezes caiu em ditaduras e em cesarismos e agora é incapaz de se reconciliar com o presidencialismo. Têm as mesmas virtudes e defeitos dos portugueses, mas mais exageradamente, em doses mais extasiantes. Até lhes legamos o mito de D. Sebastião que logo foi conduzido ao exagero: em Portugal tornou-se um folclore no Brasil, no século XIX, ia levando mesmo a uma guerra civil. 


Para que tudo fique na mesma


















Enquanto uma nação protestante dirá:"Não se pode parar o progresso" (You can't stop progress), um povo católico irá retorquir: "É preciso que alguma coisa mude para que tudo fique na mesma". A primeira frase vem dos anos de 1730, exactamente dos Estados Unidos onde então se publicava o Poor Richard's Almanach, lavrado pela sensatez protestante de Benjamim Franklin muito apreciado pelos seus aforismos. A frase, particularmente, ganhou ênfase ao longo do século XIX e início do XX, entretanto duas guerras mundiais demonstraram que o progresso também contém as raízes da sua própria destruição. 
Apesar de tudo, é uma boa identificação do carácter de um protestante. Com Lutero começaram por romper com a autoridade do Papa e depois com o iluminismo romperam com a autoridade de Deus enfatizando ora a liberdade (liberalismo) ora a igualdade (socialismo) na ideia de que o homem alcançaria a sua perfeita realização destruindo todos os obstáculos coercivos à sua auto-determinação. 
Mas os povos católicos (os povos mediterrânicos) apesar de gostarem de dizer o contrário desconfiam sempre do progresso. Querem ser modernos mas pensam sempre como ontem, querem mudar mas ficam quase sempre na mesma, ao contrário dos povos protestantes, do norte da Europa (Inglaterra) ou do centro europeu (Alemanha). Vou descer do geral para o particular. 
Veja-se, por exemplo como em Portugal constantemente se fala em reformas. Em 2013 e 2014 até se falava por aqui em "Reforma do Estado",  o que não é novidade. Até elaboraram um guião. Até fizeram profundas reformas na justiça, com a nova lei da organização judiciária, que juridicamente lançou o país para o caos. Os brasileiros não são muito diferentes e hoje vivem uma crise aguda que bem se relaciona com um carácter latino (católico) bastante particular do qual depois falarei. 
Aos portugueses serve bem aquela segunda máxima, como já se devem ter apercebido vem do famoso romance "O Leopardo", e a máxima é especialmente glosada, não fosse o autor, o Príncipe de Lampedusa, um aristocrata católico siciliano e portanto conhecia melhor do que ninguém a alma de um povo de cultura católica (e não há nada mais católico do que um siciliano). 
A frase em suma sintetiza bem o nosso carácter e responde aquele problema, por que razão nem sempre gostam da mudança e quando a aceitam tornam-se radicais? 
Responde a voz do velho "Leopardo":  "É preciso que alguma coisa mude para que tudo fique na mesma!"
Um protestante nunca se lembraria de pronunciar tal coisa, apenas um aristocrata católico para lembrar o nosso carácter. 

sexta-feira, 18 de março de 2016

Momento de humor















Quem se quiser rir um bocado que se junte à festa:

"Marcelo beijar a mão do Papa "é sinal de submissão", critica associação ateísta"
"Associação Ateísta Portuguesa diz que "Portugal não é protectorado do Vaticano"  

Não sabia que havia uma associação ateísta (delírios pequeno-burgueses) nem que se davam a tão altos valores patrióticos. Demonstrem uma ideia que não se transforme rapidamente numa pseudo-religião, como os secularismos divinizados para construir sociedades novas (liberalismo, socialismo, comunismo) que mais não são do que sucedâneos seculares assumindo a categoria de uma nova fé, a começar pelo ateísmo que originou mais mortandade do que a Inquisição. 
 Não vou dar muita importância, trata-se de um momento de humor que quis partilhar. 

Deu-me vontade de reler Chesterton, aconselho vivamente o livro Ortodoxias, da qual vou deixar ma passagem que é uma boa caracterização da demência desta gente: 

"The madman’s explanation of a thing is always complete, and often in a purely rational sense satisfactory. Or, to speak more strictly, the insane explanation, if not conclusive, is at least unanswerable; this may be observed specially in the two or three commonest kinds of madness. If a man says (for instance) that men have a conspiracy against him, you cannot dispute it except by saying that all the men deny that they are conspirators; which is exactly what conspirators would do. His explanation covers the facts as much as yours. Or if a man says that he is the rightful King of England, it is no complete answer to say that the existing authorities call him mad; for if he were King of England that might be the wisest thing for the existing authorities to do. Or if a man says that he is Jesus Christ, it is no answer to tell him that the world denies his divinity; for the world denied Christ’s.

Nevertheless he is wrong. But if we attempt to trace his error in exact terms, we shall not find it quite so easy as we had supposed. Perhaps the nearest we can get to expressing it is to say this: that his mind moves in a perfect but narrow circle. A small circle is quite as infinite as a large circle; but, though it is quite as infinite, it is not so large. In the same way the insane explanation is quite as complete as the sane one, but it is not so large. A bullet is quite as round as the world, but it is not the world. There is such a thing as a narrow universality; there is such a thing as a small and cramped eternity; you may see it in many modern religions. Now, speaking quite externally and empirically, we may say that the strongest and most unmistakable MARK of madness is this combination between a logical completeness and a spiritual contraction. The lunatic’s theory explains a large number of things, but it does not explain them in a large way. I mean that if you or I were dealing with a mind that was growing morbid, we should be chiefly concerned not so much to give it arguments as to give it air, to convince it that there was something cleaner and cooler outside the suffocation of a single argument. . . .

As an explanation of the world, materialism has a sort of insane simplicity. It has just the quality of the madman’s argument; we have at once the sense of it covering everything and the sense of it leaving everything out. Contemplate some able and sincere materialist, . . . and you will have exactly this unique sensation. (...)" 

A prudência como excelência




Prudence is not only the first in rank of the virtues political and moral, but she is the director, the regulator, the standard of them all.  Metaphysics cannot live without definition; but prudence is cautious how she defines.  Our courts cannot be more fearful in suffering fictitious cases to be brought before them for eliciting their determination on a point of law, than prudent moralists are in putting extreme and hazardous cases of conscience upon emergencies not existing.
Edmund Burke, Reflections on the French Revolution






Os revolucionários em França, em Portugal, em Espanha - e o mesmo se poderá dizer relativamente a qualquer revolução - projectaram construir uma sociedade ex novo, fazendo tábua rasa do passado como redimindo o homem de todos os pecados na promessa de um paraíso terreno. 
A sociedade é como um organismo, um complexo todo interligado que é muito maior do que a soma das suas partes. Não pode ser quebrada sem causar grandes riscos e sem lançar os homens para a ruptura total (a revolução). As instituições funcionam, não por causa de qualquer princípio racional, mas porque se têm desenvolvido ao longo dos séculos. É possível provar que funcionam e que são úteis ao homem.Elas ganham legitimidade de acordo com a sua antiguidade ou a sua prescrição, é impossível transpor instituições ou mecanismos de um determinado sistema político para outro, por vezes incompatíveis e indissociáveis, como temos visto acontecer em Portugal nos últimos duzentos anos. 
Burke analisava a este propósito e nestes termos a revolução em França, que deixou escrito num livro memorial: "Reflections on the French Revolution (1790)". Nesta análise considerava os vícios da revolução e ponderava como aperfeiçoamento e mudança são importantes em política, mas de forma gradual e orgânica, tal como o trabalho da natureza. Aqui os franceses tinham falhado e falharam os reformadores impacientes que arrastaram nações e povos para o caos. 
Para Burke, a França fora incapaz de reparar o velho fabrico da sua constituição. A liberdade é muito melhor garantida pela pluralidade de diversos interesses estabelecidos pela história e pela tradição (as pequenas pátrias, desde as famílias aos municípios, as realidades locais e regionais, que constituem o todo orgânico da nação) e não de declarações abstractas ou legislações revolucionárias tentando criar uma sociedade nova. 
A sociedade civil é natural, orgânica e, apesar de não ter qualquer força devida ou espírito próprio fora dos indivíduos que a constituem, não é tão insuficiente como Locke e Hobbes defenderam, uma entidade artificial, o resultado de um contrato entre indivíduos pré-sociais no seu estado de natureza. Burke era céptico relativamente a políticas radicais e a reformadores intelectuais. O que o whig procurava era a prudência como forma de excelência, chamando-lhe a "rainha das virtudes políticas". A prudência é um arrimo para pensar a política. Pode não ser o primeiro dos valores mas estrutura todos os restantes. Dá que pensar nestas palavras: "Prudence is not only the first in rank of the virtues political and moral, but she is the director and regulator, the standard of them all." 

domingo, 13 de março de 2016

Pensamento para hoje



"A democracia repugna às nações ocidentais da Europa educadas pelo catolicismo..."

(escreveu Herculano em 1870 numa carta a Oliveira Martins.)


sexta-feira, 11 de março de 2016

Manent e a decadência da Europa

De Pierre Manent: "REPURPOSING EUROPE FOR A RENEWAL OF THE NATIONAL PROJECT". 
A decadência da Europa num mundo que parece ameaçar os seus fundamentos, depauperada na fé, esquecida dos seus valores, sem uma elite capaz de a regenerar, uma civilização faústica (como uma miríade de autores desde o século passado diagnosticaram). É verdade que a civilização Europeia se construiu em torno da cristandade e nasceu através de uma forma imperial (do Império Romano à Respublica Christiana), hoje composta por nações que se envergonham do legado ancestral, o que lembra a quebra do fio da trindade romana (como indicava Arendt) tradição-autoridade-religião, a ruptura iniciada pelos humanistas, seguida pela reforma com Lutero e Calvino, finalmente arruinada na procura de novos fundamentos que consumaram as revoluções modernas (da francesa à soviética). Nem tão pouco há como esconder as origens, ainda que do estado nacional se tenha abstraído um estado pós-nacional (incompatível e que perdeu toda a sua plausibilidade, a crise dos migrantes foi a prova). A relação do homem com a sua terra desligou-se do sagrado, e exige novamente a necessidade de recuperar o bem comum, o auto-governo e a fé na Providência. Como o autor expõe: "We need to recover the desire for and hope in a provident God if we are to restore the political order as the framework and the product of choice for the common good."
Será altura da Europa se reconciliar com o seu legado cristão e, seguindo a opinião do autor, é altura dos católicos avançarem para a praça pública e renovarem a credibilidade da comunidade política.

"I know that this question might appear strange, and yet self-government and petition for the protection of the Most High are two operations of freedom that are inseparable. Every action, and especially civic or political action, is carried out in view of the common good. This common good, which depends on us, is nevertheless bigger than us, too big for us. We are tempted to appropriate it wholly for ourselves, seeing ourselves as the exclusive authors of this good. When we do so, the nation becomes an object of idolatry, an idol that, in the name of its incomparable particularity or its unequaled universality, demands human sacrifices."(...) 
"Right now, we lack that ability. The idea of acting for the common good has lost its meaning for us. We do whatever it is we do not because it is useful, honest, or noble but because it is necessary, because we cannot do otherwise. In the name of a global marketplace, we have constructed a system of action that can best be described as an artificial providence. We tell ourselves that the only thing we can do, and the best that we can do, is to allow ourselves to be governed by the global marketplace. My, how we love this providence! How docile we are when its invisible hand comes down upon us! And how well the wise and powerful know how to interpret its dictates!"(...)

sábado, 5 de março de 2016

O carlismo e a "liberdade religiosa"












A ler o texto de  Rafael Gambra Ciudad (1920-2004), monárquico tradicionalista, pensou a Espanha  como unidade católica e na religião católica como fundamento à realização da Espanha. Um artigo a ler: "O Carlismo e a "liberdade religiosa":   



 «Que significa então a unidade religiosa que o carlismo propugna como primeiro de seus lemas? Simplesmente, que a legislação de um país deve estar inspirada pela fé que ali se professa — a católica no nosso caso — e que não pode contradizê-la; que em relação aos costumes, enquanto podem ser influenciados pelas leis e pela política do governante, deve-se fazer o possível para que permaneçam católicos. Que a religião, enfim, deve ser objeto de proteção por parte da autoridade civil. Dito de outro modo: que não se pode impor nem propor leis que contradigam a moral católica — antes de tudo o Decálogo — nem que atentem contra os direitos e atividades da Igreja. Este fundamento religioso (religião é religação com uma ordem sobrenatural) é radicalmente oposto ao princípio constitucional moderno, segundo o qual o poder procede do homem, de sua vontade majoritária, e nada tem que ver com Deus, nem com o Decálogo o qual só interessa à vida privada de quem professa essa religião. Recordemos que na origem de nossas guerras civis — que sempre tiveram um fundo religioso — os dois brados que se opunham entre si eram: “Viva a Religião!” e “Viva a Constituição!”»

quarta-feira, 2 de março de 2016

As ideias












Por volta da década de 1870 surgia uma nova ideia, vinda directamente do centro da Europa: o socialismo. Já era conhecida além Pirinéus, mas à Península as boas-novas chegam quase sempre no relativo atraso de quarenta anos. A geração mais crítica de Portugal (a geração de 70) fervilhará no anti-liberalismo que não tinha conhecido o liberalismo tão pouco. No fundo, o que essa geração via era um projecto mal-conseguido.
A mudança de gerações provocaria uma ruptura no paradigma. A primeira geração de intelectuais (1830-1860), os liberais e românticos, tinham exilado D. Miguel e imposto o constitucionalismo-parlamentar-liberal. Esse mundo novo descobriram no exílio, em Inglaterra e na França. A ideia parecia positiva e em nome dela conduzem a guerra civil. A segunda geração (1860-1910) socialista e republicana, que vibra ao som do positivismo e da revolução, nasce contra o romantismo e opõe-se ao liberalismo, que vêem como um projecto fracassado, esses homens exilarão D. Manuel II, e irão impor a república. Como a república (1910-1926) entra no caos, em dezasseis anos, a terceira geração irá conduzir à ditadura, contra o parlamentarismo.

A experiência política portuguesa no século XIX molda o país, mas serão poucos os entusiastas entre os intelectuais. Se alguém se arriscar a procurar um autor liberal português, isto é: um doutrinador um filósofo português que tenha escrito um pensamento, não encontra. Nem admira que o único autor verdadeiramente liberal e que, mal por mal, ainda deixou algum pensamento, Alexandre Herculano, se tenha retirado para Vale de Lobos, queixando-se que o sistema estava “prostituído”. Herculano chamava ao período do rotativismo uma “vil comédia”. 
Nos últimos anos de vida, reconciliado com a  fé católica e entusiasmado na teorização do municipalismo, o historiador permanecerá como a consciência da nação (ou pelo menos assim era venerado).Talvez porque percebera melhor do que ninguém a tragédia.
A grande crítica dos intelectuais dirigia-se aos resultados controversos do liberalismo. O povo não beneficiara desse processo, nem desse progresso, que sempre viveu fechado em Lisboa e no Porto. Do republicanismo de Teófilo Braga, ao Socialismo de Oliveira Martins, todos atacavam aquela monarquia. 
No fundo impuseram-se instituições e aplicaram-se constituições que à província passavam sempre incólumes e despercebidas. 
O remédio ao absolutismo tinha sido o liberalismo (falhou), o remédio ao liberalismo tinha sido o socialismo, originário da facção mais radical dos liberais, que trouxeram consigo a república (proclamada em 1910 também falhou), o remédio final foi a ditadura, quarenta e oito anos depois a solução foi uma procura entre o socialismo e o demo-liberalismo, a resposta esteve nos fundos comunitários e na adesão à CEE. Depois destes duzentos anos em sobressalto atrás de um ideia que nos realize, o que resta de Portugal?