sábado, 12 de dezembro de 2015

Quando a ignorância é atrevida



Do Diário de Notícias: 
"Eu sei que isto não agrada aos portugueses, mas Cristóvão Colombo chegou a Santo Domingo [atual República Dominicana] em 1492 e em 1507 já ali tinha sido criada a Universidade. No Peru em 1550, na Bolívia em 1624. No Brasil a primeira universidade surgiu apenas em 1922",
 "Para Lula da Silva, que comparou as atitudes dos países colonizadores Espanha e Portugal nas respetivas áreas de influência, este facto "justifica os atrasos na educação do Brasil"."

 Novamente a propaganda anti-portuguesa, agora vinda da boca do antigo chefe de estado Lula da Silva. O homem é uma comédia, esse produto acabado de um sindicalismo de oportunistas e de um socialismo que significou distribuir riquezas entre a família e amigos saiu-se com uma deixa de sábio. Para quem aparecia como uma espécie de "imperador da Lusofonia", tão amigo de Portugal, tão despertado para este mundo atlântico da portugalidade, não ficou muito atrás da indigência mais medíocre e da visão mais rudimentar. Este pobre filho de pobres chegou humilde ao poder e de lá tirou as maiores benesses (quem o pode criticar?), mas não se trata de procurar as suas incursões na política, a corrupção, o desnível, a falta de honestidade, a falta de integridade, também, mas a ignorância acefálica deste guia do povo.  Ao senhor Lula devíamos perguntar: Quem difundiu a língua portuguesa pela América do Sul dentro? Quem criou as elites que mais tarde desenvolveriam uma nação livre e independente? Quem ajudou a manter a unidade de todo aquele território?

 Foram, primeiro, os jesuítas, verdadeira elite intelectual, quem fomentaram a cultura e a educação por todo aquele território imenso, em 1759 havia 24 colégios, 3 seminários, 17 casas e 39 missões, em todas as capitanias. Com a expulsão dos jesuítas e a reforma de Pombal a educação passa a ser administrada pelo Estado e são criadas por todo o Brasil escolas régias. Depois, com a presença da família real, a partir de 1808, são criados cursos, cadeiras, escolas e as primeiras faculdades, é o rei D. João VI (esse que a propaganda republicana e liberal fez passar por estúpido, na verdade, um homem pragmático e de visão) quem vai permitir a abertura das primeiras escolas primárias, de artes e ofícios, em todo o país, e não só nas principais cidades onde primeiramente se concentravam. D. João VI fomenta o ensino superior - nas origens da moderna Universidade brasileira. Assiste-se à criação da Academia Militar, da Academia da Marinha e da Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro. Nesta época o Rio de Janeiro torna-se a principal cidade da América do Sul, verdadeiro centro cultural e político que espelha os reflexos de uma prosperidade crescente. 

Podemos contabilizar, sem deixar de ficar surpresos, com a quantidade de nomes de brasileiros que estudaram em Coimbra entre finais de 1700 e inícios de 1800. Foi um brasileiro (Monteiro Rocha) quem elaborou os estatutos do curso de matemática durante a reforma pombalina e foi igualmente o criador do Observatório Astronómico, outro brasileiro (Francisco da Cunha Leal) esteve nas origens do Laboratório Chimico, e, na faculdade de medicina, de 1790 a 1820, despontam nomes diversos de brasileiros ligados às ciências médicas e que darão um grande contributo tanto ao Brasil como ao Reino de Portugal. 

Igualmente serão homens vindos do Brasil quem administrarão as aulas de Química e de Farmácia. Por exemplo, por volta 1790 permitiu que se realizassem em São Paulo importantes estudos a nível da meteorologia e da astronomia e até ao início do século XIX serão publicados obras simbólicas nos domínios das ciências (sim, nesse tempo obscuro de inquisidores e de padres e que o senhor Lula diz ter sido um atraso).

Já independente o Brasil continuará a desenvolver as suas bases do ensino. No Império houve tentativas de criação de universidades mas sem êxito, uma delas foi apresentada pelo próprio Imperador, D. Pedro II. O curso de direito aparecera já em 1827, na cidade de São Paulo e Olinda; e em 1839 é estabelecida a escola de farmácia de Ouro Preto e de Minas. A 7 de Setembro de 1920, por meio do Decreto nº 14.343, o Presidente Epitácio Pessoa institui a Universidade do Rio de Janeiro. A verdade é que já havia (desde finais do século XVIII) uma grande homogeneidade nos estudo, oferecendo treino e capacidades que permitiram ao Brasil desenvolver as suas bases administrativas e políticas, a elite brasileira era da mais bem preparada e educadas, tendo passado por Coimbra verdadeiro centro do conhecimento de um império universal. De 1822 a 1889, 85% dos senadores tinham educação superior. Comparado com hoje o sr. Lula representa um retrocesso civilizacional. 

O ensino superior no Brasil hoje está em um estado lamentável, oferecendo vagas para menos do que 10% da faixa etária, e há sérios problemas de qualidade. Atribuiu bolsas de estudo, é verdade, mas também é verdade que os custos mais baixos por estudante em instituições particulares são mais relacionados com a baixa qualidade de ensino e falta de contribuição para o bem público do que com eficiência. Quanto ao senhor Lula da Silva vá-se educar. O seu governo corrupto deixou o Brasil num estado lamentável. A falta de educação deste homúnculo está ao nível da sua habilidade política: uma nulidade. Por isto merecia é que lhe fosse retirado o título de Doutor Honoris Causa com que a Universidade de Coimbra o reconheceu, a Universidade que tanto fez para preparar a elite brasileira no passado e que ajudou a traçar o caminho da independência de um reino, mais tarde império sul americano. Uma nação que tem todas as potencialidade para se afirmar na América do Sul. 

Ao senhor Lula só tenho a dizer: a ignorância é atrevida... 


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