sexta-feira, 6 de novembro de 2015

O Anjo

Paul Klee, Angelus Novus, 1920. Museu de Jerusalém.


Sei que isto é um pouco um corolário básico e um lugar comum extraído de uma imagem de Klee, o Angelus Novus (O Anjo da História), o qual vale mais pelas interpretações feitas do que pelo traço, a verdade é que a análise de Walter Benjamim tem uma inspiração um pouco baudelairiana (em "As flores do Mal" leia-se o poema “Une gravure fantastique" que vai ao encontro do sentimento do filósofo), mitigada pelas influências que entretanto tinha apreendido na filosofia clássica e essencialmente no fascínio descoberto nas alegorias religiosas. No fundo o filósofo vive o conflito entre o sagrado e o profano, o progresso e a condenação ao inferno. As linhas de um homem desesperado com o curso da história:

"Há um quadro de Klee intitulado Angelus Novus. Representa um anjo que parece preparar-se para se afastar de qualquer coisa que olha fixamente. Temos olhos esbugalhados, a boca escancarada e as asas abertas.O anjo da história deve ter este aspecto. Voltou o rosto para o passado. A cadeia de factos que aparece diante dos nossos olhos é para ele uma catástrofe sem fim, que incessantemente acumula ruínas sobre ruínas e lhas lança aos pés.
Ele gostaria de parar para acordar os mortos e reconstituir, a partir dos seus fragmentos, aquilo que foi destruído. Mas do paraíso sopra um vendaval que se enrodilha nas suas asas, e que é tão forte que o anjo já as não consegue fechar. Este vendaval arrasta- o imparavelmente para o futuro, a que ele volta costas, enquanto o monte de ruínas à sua frente cresce até ao céu. Aquilo a que chamamos o progresso é este vendaval." - Walter Benjamim

Sem comentários:

Enviar um comentário