quinta-feira, 19 de novembro de 2015

A fronteira cedeu


Adiante vou citar um comentário de Dominique Venner relativamente à imigração e ao multiculturalismo.

Quando passado passa a ser futuro de forma quase mimética e ainda mais tenebroso, no fundo, as advertências de ontem passam a ser as realidades de hoje, ou apenas a continuidade de uma bola de neve que vai crescendo em proporção, até ao desastre final.

Como bem lembrou o historiador, as fronteiras meridionais da Europa cederam, desde o dia em que Carlos V desembarcou em Argel para acabar com o tráfico de pirataria berbere.

O fim da guerra na Argélia em 1962, ao retirar das tropas, abandonando franceses e partidários indígenas, deixou a França desprotegida. Incapaz que foi de analisar a situação como uma calamidade que, mais cedo ou mais tarde, a contaminaria, pecado igual cometeu a restante Europa ignorando as consequências que também lhe diziam respeito.

Antes, agravaram a situação, por fim, o choque de civilizações chega ao solo europeu.

«Os efeitos reactivos do islamismo começaram a fazer-se sentir aquando das eleições de 2002. Contra todas as expectativas, a lista "populista" de Pim Fortuyn (assassinado pouco depois por um ecologista) obtinha resultados impressionantes que provavam uma reviravolta da opinião pública. Essa mudança de sinal foi confirmada dois anos mais tarde pela indignação duradoura que se seguiu ao assassinato do realizador de televisão Theo Van Gogh (4 de Novembro de 2004), crítico virulento da sociedade multicultural, apunhalado por um militante islamita de origem marroquina. 
Num ano, do fim de 2004 ao fim de 2005, os três modelos europeus de integração dos imigrados foram postos em cheque. O modelo holandês abriu falência com o assassinato de Van Gogh, o inglês, com os atentados de Londres de Julho de 2005, o modelo francês, com a explosão dos subúrbios em Novembro de 2005. Cada um destes modelos tinha, no entanto, as suas virtudes, ancoradas na tradição nacional. O inglês privilegiava a liberdade das comunidades, o holandês, a tolerância, e o francês, a igualdade. Em vão. Numa hora de confidências ao seu ministro Alains Peyrefitte, que hoje lhe valeriam a fulminação dos tribunais, o general De Gaulle tinha formulado uma daquelas verdades grosseiras em que era exímio: "Aqueles que propugnam a integração têm um cérebro de colibri, mesmo que sejam sábios. Tente-se integrar o azeite e o vinagre. Sacuda-se a garrafa. Ao fim de um instante separam-se de novo."»

Dominique Venner, "O Século de 1914 - Utopias, Guerras e Revoluções na Europa do século XX", Civilização Editora.

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