quarta-feira, 15 de julho de 2015

Nous sommes gars de Bretagne

Hoje é dia de esquecer Paris 
e seguir para a Vendeia 
para estar ao lado dos mártires 
dos campos da Bretanha


Ah, ah, ah, debout les gars, vive le Roi !
Ah, ah, ah, debout les gars, vive le Roi !



quinta-feira, 2 de julho de 2015

D.Manuel II - nos 83 anos do seu falecimento




Passam 83 anos sobre o falecimento de El-Rei Dom Manuel II, o Patriota, ainda o trágico e saudoso, o último Rei de Portugal que cumpriu até ao fim com as obrigações a que estava adstrito conforme mandava o desígnio da Realeza. "Realeza" - palavra que laiva suspiros de horror nuns e nostalgia lacrimosas noutros, perdendo a sua realidade histórica e natural. Realeza no sentido profundo que vem identificar o sagrado e o profano, a natureza e o homem, porque o povo encontra o seu rei e nele identifica a explicação à sua existência colectiva. Mas como podia, no louco século XX esta elementar certeza subsistir? Depois das revoluções jacobinas e liberais implantarem o critério constitucional que fez do rei apenas um funcionário vitalício, ou anteriormente o despotismo iluminado, já anunciado por Pombal, interpretando a Realeza enquanto "um absoluto falsamente divino" (Barrilaro Ruas), depois hipertrofiado no sentido oposto, no "cidadão" detentor de todo o poder (estamos entre Hobbes e Rousseau os dois teóricos que abriram, em sentidos opostos, a suma ideológica que encantou a modernidade estupidificada). O homem quis-se inteiramente livre, a administração centralizada e, se possível, recriar a comunidade 'ex nihilo' na busca do tal homem novo (como foi desígnio na revolução de '89 em França). Mas o povo já conhecia a liberdade na liberdade do rei, como lapidarmente determinaram os justos tratadistas da restauração de 1640: Nós somos livres porque nosso rei é livre. Subvertida a ordem tradicional e natural passou a Constituição, e depois a Carta, a fundamentar o papel do Rei, perdendo sentido enquanto condutor do povo. Os reis constitucionais viram-se confrontados com esta contradição, aqueles que lutaram por superá-la foram afastados, ou mortos, do liberalismo constitucional (a "república com o rei"), ao regime dito republicano, o passo era mínimo. Bastou então afastar o soberano que aos banqueiros, aos plutocratas, às elites rancorosas e sem prestígio, já nada dizia, até incomodava dentro das conspirações palacianas e na luta partidária. E afastada a última réstia de uma tradição antiga que sobrevivia cerceada na tempestade revolucionária tudo se perdia conjuntamente. D. Manuel II não pôde alterar a ordem caótica, ainda que corajosamente tenha lutado para devolver à Realeza e, no mesmo sentido, à Pátria lusa, a sua glória e o seu prestígio. Mas era jovem e rapaz dado às edilidades de que a idade é provecta, sentado num trono amordaçado, dividido ainda pela guerra civil, que nunca sarou as mágoas da pátria, e ademais atacado pela corja que tudo fez para o liquidar. Encontrou-se manietado no seu poder. Ofuscada a Realeza restava o fim próximo. Mas o seu trabalho progrediu no exílio. Legou-nos a segunda maior colecção de tipografia portuguesa do século XV e XVI - trabalho de uma vida curta mas pródiga. Hoje a biblioteca do Rei já pode ser consultada. Foi o incansável estudioso e bibliógrafo, verdadeiro príncipe renascentista na formação intelectual e no carácter nobre. O que perdemos na tentação das ideias infrutíferas e na ambição desmedida fica sepultado na incerteza da história, mas com a inteira satisfação de conhecer um legado que um rei injustiçado deixou ao seu país, à pátria da qual nunca se separou.