terça-feira, 23 de junho de 2015

Vive la race de nos Rois


De regresso a outras civilizações. Por vezes o espírito tem de procurar algo de maior, num mundo que já não tem muito sentido (dominado pela baixa cultura, pela política alimentada a miragens de megalomania burguesa e tosca), aliás, parece que a saciedade perde cada vez mais a realidade da existência colectiva, onde a raça dos nossos reis já não tem muito de apelativo ao comum dos mortais. Alternativas precisam-se? Pois restaure-se a grandeza, restaure-se a monarquia. Antes do ódio invadir as ruas, antes da barbárie assolar o poder, antes dos demagogos e dos pequenos tiranos, antes das guilhotinas e assaltos aos palácios pelos invejosos da burguesia e pela cobiça dos banqueiros (a plutocracia, a grande inimiga). Naquele tempo, quando a Europa aspirava a senhora do mundo e os reis coroavam a glória de nações orgulhosas. Viva a raça dos nossos reis. 


 Vive la race de nos Rois,
C'est la source de notre gloire.
Puissent leurs Régnes et leurs loix,
Durer autant que leur mémoire.
Que leur nom soit à jamais
Le signal de la victoire,
Que leur nom soit à jamais
Le présage de la paix.


Jean-Philippe Rameau (1683 - 1764)

Acante et Céphise, ou La sympathie (19.11.1751) 
Rec. 23.11.1983

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Dia de Portugal


Hoje homenageio o maior da nossa pátria e presto o respeito àqueles maiores que deram a vida por esta terra de quase nove séculos, a Lusitânia antiga liberdade. 

Camões encarna o espírito vivo e aventureiro deste povo que lançou braços e coragem além-mar, o mesmo espírito varonil e cavaleiresco, romântico e heróico, homem da terra e lobo do mar, que fez a gesta portuguesa do tempo do Infante e de D. João II, depois loucura sonhadora de Sebastião, perdido na "grandeza qual a sorte a não dá", bem lembrado no Pessoa que viu na quimérica vã glória o propósito de restaurar esse "Portugal hoje nevoeiro". Ficámos entre a neblina de Alcácer, no sonho de um restaurador prometido, e a incerteza de um tempo "sem rei nem lei", qual abafo que aguarda por aquele grito libertador "É a hora!", mas bem podia concretizar a fórmula de uma elevação da alma pátria, como num refluxo novamente procurando a grandeza perdida em Alcácer: Nós somos livres porque nosso rei é livre. E aguardar no silêncio do tempo pelo reencontro com o desígnio que vem identificar aquele primeiro entre os portugueses apontando-o como Sebastião diante do túmulo do Príncipe Perfeito: "Este é o meu rei, este é o meu rei". 

Viva Portugal!


quarta-feira, 3 de junho de 2015

Kaiser Wilhelm II, esse desconhecido




4 de Junho de 1941, morre o Kaiser Wilhelm II da Alemanha. Derrotado e vencido foi talvez dos mais odiados homens do século XX, ainda que a justiça tarde para esta figura renegada num século que conheceu todas as catástrofes. Um homem singular: grande orador, carismático, culto e apreciador das artes, tinha ao seu alcance o esplendor de uma era. Mas era também de temperamento irascível, instável e irritável, muitas vezes tendente a depressões. 
O neto preferido da rainha Vitória foi talvez o mais inglês de todos os alemães, a proximidade que sentia ao povo de além-Mancha faziam-no crer numa aliança futura. Errou tremendamente. Wilhelm admirava os ingleses,mas não os compreendia. Imediatamente a criação da marinha de guerra alemã levantou suspeitas à Britânia senhora dos mares. Entre outros erros diplomáticos (a política externa não era o seu forte), mormente a incapacidade para garantir o equilíbrio entre a Áustria-Hungria e a Rússia, impérios cuja sede de ambição nos Balcãs conduziria a Europa para o suicídio colectivo em 1914. O equilíbrio que Bismarck habilmente criara aos poucos começava a ruir. Aliás, o Kaiser afasta Bismarck da vida política. 
Mas Wilhelm II demonstra-se internamente um político hábil. É sobretudo um "imperador social" que para combater a ascendente força do partido social democrata institui uma legislação do trabalho sem precedente na Europa: desde leis sobre acidentes de trabalho, doença e velhice votadas entre 1882 e 1889 as quais formam, depois de Bismarck, o primeiro conjunto de reformas sociais, décadas antes da "revolucionária" e "republicanissima" França (aliás república burguesa e conservadorona). São também pensados pelo Kaiser Wilhelm II os tribunais arbitrais, o descanso ao domingo e a limitação das horas de trabalho. Juntamente com Bismarck, Wilhelm é o arquétipo do revolucionário de topo, como o fora na Rússia um Alexandre II, e, entre nós, o nosso rei D. Carlos. Do que mais gostava era das encenações, as grandes demonstrações militares, contudo teme a guerra, um paradoxo interessante neste monarca.
 Esse "teatro" fazia-o talvez ignorar a realidade do seu próprio poder: Wilhelm estava limitado como rei constitucional, mas ao mesmo tempo está politicamente na vanguarda dos novos tempos: apercebe-se de elementos políticos importantes que no futuro definirão a política de massas: os discursos, a grande oratória, a ideia do soberano reflectir a vontade do povo, são constatações que fazem dele sobretudo um estadista moderno. Acredita ainda assim no direito divino, mas não ignora que o poder deriva da nação, o que é interessante no seu pensamento: tradicionalista e revolucionário, conservador politicamente, mas um socialista que se vai afirmando, aliás, é graças a ele que a lei que reprimia os socialistas é revogada, aceita também que se constituam partidos políticos, da direita conservadora da nobreza prussiana, ao centro católico, à esquerda os sociais-democratas, e a burguesia dividida entre liberais nacionais e liberais de esquerda.
 É a Alemanha do grande fomento industrial, mas também da cultura e das ciências, que a Europa reconhece nos inúmeros galardoados com o Nobel, ou que são reconhecidos nas letras, na pintura, nas reformas políticas. Que mundo se perdeu. O Kaiser Wilhelm II é uma das mais interessantes figuras do século XX, admirado e odiado, merece ser estudado com atenção e com a relevância necessária.





Heil dir im Siegerkranz,
Herrscher des Vaterlands!
Heil, Kaiser, dir!