terça-feira, 7 de abril de 2015

Equívocos da razão



"Mentiras Convencionais" foi escrito por um médico húngaro nos finais do século XIX, de seu nome Max Nordad. Um livro cheio de corolários positivistas, o que andou a alimentar a boca dos republicanos aqui do burgo, basta dizer que o dito senhor era amigo de Teófilo Braga com o qual se correspondia. De resto, a obra transpira os equívocos e as redundâncias positivistas, o pathos científico que se apoderou das inteligências conduzindo-as às loucas interpretações estético-filosóficas que marcaram aquele século de equívocos. Na obra soa arrebate os ataques à Igreja, à monarquia, à aristocracia - como não podia deixar de ser! mas tem alguma audacidade que talvez não tenha sido compreendida pelo estrábico positivista que conspirava na sombra da carbonária. 

Ora leia-se como ponderava um republicano positivista quanto à divergência de regimes: "Se instruo o processo da monarchia, não é para condemna-la em proveito da republica. Estou até muito longe de ter pela republica esse ingenuo enthusiasmo dum tão espalhado liberalismo que se deixa seduzir pelo som duma palavra, sem procurar determinar-lhe o sentido. Para muitos liberaes, a republica é o primeiro alvo que deve attingir-se; para mim, é o último. Se a republica tem de ser um progreesso e uma verdade, importa necessariamente uma serie completa de instituições sociaes, economicas e politicas, absolutamente differentes das instituições que estão em vigor."


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