sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

A segurança dos tronos assenta na poesia

O general Gneisenau, numa carta ao seu soberano, Frederico Guilherme da Prússia, em 1811, escrevia: 

"A segurança dos tronos assenta na poesia" e acrescentava: "Religião, oração, amor ao Príncipe, à Pátria, à virtude, não são mais do que poesia. Não há elevação do coração sem poesia. Quantos de entre nós, que vemos com aflição o trono vacilar, poderíamos esperar uma situação brilhante se, em, vez de sentirmos, quiséssemos fazer cálculos? Mas os laços de nascimento, da afeição e do reconhecimento ligam-nos ao nosso antigo monarca; queremos viver e morrer com ele".



(*na imagem: Frederico Guilherme III da Prússia 1770-1840 
a quem o general Gneisenau enviou a carta).

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Nos 222 anos da morte de Luís XVI



"No dia em que os franceses decapitaram o seu rei cometeram o seu próprio suicídio" 
(Ernest Renan (1823-1892)).






segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Renan dixit

Joseph Ernest Renan (1823–1892)


" On se figura que l'état, qui s'était incarné dans le roi, pouvait se passer du Roi, et que l'idée abstraite de la chose publique suffirait pour maintenir un pays où les vertus publiques font trop souvent défaut. Le jour où la France coupa la tête à son roi, elle commit un suicide (...) La France était une grande société d'actionnaires formée par un spéculateur de premier ordre, la maison capétienne. Les actionnaires ont cru pouvoir se passer du chef, et puis continuer seuls les affaires. Cela ira bien, tant que les affaires seront bonnes; mais, les affaires devenant mauvaises, il y aura des demandes de liquidation. "

 La réforme intellectuelle et morale, Por Ernest Renan (1823-1892)

do site "La Couronne"

sábado, 17 de janeiro de 2015

BY THE STATUE OF KING CHARLES AT CHARING CROSS BY LIONEL JOHNSON




To William Watson.

SOMBRE and rich, the skies;
Great glooms, and starry plains.
Gently the night wind sighs;
Else a vast silence reigns.


The splendid silence clings
Around me: and around
The saddest of all kings
Crowned, and again discrowned.


Comely and calm, he rides
Hard by his own Whitehall:
Only the night wind glides:
No crowds, nor rebels, brawl.


Gone, too, his Court: and yet,
The stars his courtiers are:
Stars in their stations set;
And every wandering star.


Alone he rides, alone,
The fair and fatal king:
Dark night is all his own,
That strange and solemn thing.

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Which are more full of fate:
The stars; or those sad eyes?
Which are more still and great:
Those brows; or the dark skies?


Although his whole heart yearn
In passionate tragedy:
Never was face so stern
With sweet austerity.


Vanquished in life, his death
By beauty made amends:
The passing of his breath
Won his defeated ends.


Brief life, and hapless? Nay:
Through death, life grew sublime.
Speak after sentence? Yea:
And to the end of time.


Armoured he rides, his head
Bare to the stars of doom:
He triumphs now, the dead,
Beholding London‘s gloom.


Our wearier spirit faints,
Vexed in the world‘s employ:
His soul was of the saints;
And art to him was joy.


King, tried in fires of woe!
Men hunger for thy grace:
And through the night I go,
Loving thy mournful face.


Yet, when the city sleeps;
When all the cries are still:
The stars and heavenly deeps
Work out a perfect will.

1889.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Nas origens da tragédia



"Assim, podemos hoje olhar com alguma objectividade estes meses 
do fim do Império, entre Abril de 1974 e Novembro de 1975, na razão 
directa do empenho, da esperança e da paixão com que então os vivemos,
 ou da raiva, da fúria e da sensação de queda final com que lhes vimos o desfecho." 
(Jaime N. Pinto, Portugal, Ascensão e Queda) 


Nasci dezassete anos volvidos sobre a Revolução (ou golpe militar, como for preferível) do 25 de Abril, data conjurada numa mítica quase divina. Quatro décadas não permitem a avaliação consciente dos factos nem a representação clara dos acontecimentos. Na distância dos fenómenos históricos apenas posso ponderar os factos no desassossego da história, nos processos utilizados pelos protagonistas, nas suas ambições e nos seus desvairos. Do que li sobre a revolução, do que estudei, constatei na miríade de libelos da ortodoxia dominante, o pasmo geral, a idolatria da esquerda, as dúvidas e apreensões da direita. Salazar o génio, ou Salazar o ditador; a revolução necessária, ou a revolução que podiam ter evitado; o "fascismo" e o "anti-fascismo", as moralidades da esquerda e as angústias da direita, tudo elementares constatações, frémitos que aliciam a prosa ao sabor dos sentimentos, poética exuberante que não deixa de constatar a alucinação dos apologistas da revolução.

 Não se tratou propriamente de uma "revolução francesa" ou de uma "revolução russa", mas se olharmos no seu conjunto, nas dimensões extra-continentais, nas consequências da revolução na Guiné, em Angola, ou em Moçambique,  caiem por terra muitos mitos e ressaltam-se muitas incertezas. No final restam as dicotomias e as indiossicracias que criam ódios e rancores, admirações e idolatria, sem se conseguir pensar no meio termo do que significaram esses anos. Entregues à sua sorte, Guiné, Angola e Moçambique foram devastados pela guerra civil, porquanto em Portugal preferissem contar os cravos nas baionetas e deixassem os civis extasiados passear de tanque pelo Chiado.

O país não se libertou das angústias da sua história - é a verdade. Nações divididas pela guerra civil e pela revolução dificilmente superaram a gangrena moral que os divide. Há casos similares, como por exemplo na divisão dos Estados em plena guerra civil americana, entre os Estados do Norte e os Estados do Sul (da Dixie); na Espanha, entre Carlistas e Liberais; na França dividida entre vendeanos e jacobinos; e, no nosso caso, liberais e miguelistas, republicanos e monárquicos, apoiantes do Estado Novo e revolucionários (entre a visão da direita e os cantares da esquerda).

Nos derradeiros anos da democracia, muitos portugueses, órfãos de um império que jamais conseguiram perceber o significado, e afastados de uma história que jamais compreenderam o sentido, aceitaram, sem resignação, o novo estádio revolucionário. A descolonização é um debate aceso. Se a esmagadora maioria dos retornados (por razões óbvias e historicamente identificáveis) não consentiu com aquilo que Harold Macmillan chamava "os ventos da história" ("ventos" que empurraram Portugal para a catástrofe em que se tornou aquela"descolonização exemplar"), também é certo que outros houve que preferiram desculpar o comunismo e os grupos armados que lhes roubaram a terra, obrigando-os forçosamente a fugir. Ou, pelo menos, esforçam-se por esquecer o drama, sem que realmente tenham conhecido os preliminares da situação.

Educados numa concepção materialista da história, toda uma geração, à qual pertencem nossos pais e tios, e também avós, renegaram os valores antecedentes: Deus, Pátria, Família (por vezes até a Propriedade!) porque ensinaram-lhes, naqueles anos de transição, entre declamações da poesia de Agostinho Neto, ou o estudo da mediocridade literária dos neo-realistas, além dos cantares das Grândolas e cantigas intervencionistas, cujo conteúdo se repetia ad nauseam, que esses princípios eram malévolos, responsáveis pelo atraso português, pelo retrocesso das mentalidades.

O Estado Novo e Salazar podem, perfeitamente, servir de bode-expiatório para muitos dos nossos dramas colectivos, podem até mesmo servir de justificação para muita da incompetência desta nossa "jovem" democracia, o que é mais fácil de responsabilizar do que a "imbecilidade" dos homens do nosso presente. Passados quarenta anos, ainda não há distanciamento histórico para perpassar o drama e julgar à luz dos factos, de forma rigorosa e fria. Afinal, a ditadura, no seu todo, primeiro militar, depois chamada de "Estado Novo" (a II República), salazarista e depois marcelista, viveu por quarenta e oito anos, muitos mais anos do que actualmente conhece a nossa III República, dita "democrática", desse passado, os estigmas prevalecem, e os nossos pesadelos também.