sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Duque de Bragança




"Depositário da legitimidade histórica pela aceitação das leis fundamentais do Reino, só o Sr. D. Duarte pode, em verdade, vir a ser Rei de Portugal e dos portugueses. Rei de Portugal pelo seu direito dinástico; Rei dos portugueses, porque só ele se encontra em condições de realizar a unidade nacional." 

António Sardinha 

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Papa Francisco no Parlamento Europeu




Aborto, eutanásia

«O ser humano corre o risco de ser reduzido a uma mera engrenagem de um mecanismo que o trata como um simples bem de consumo para ser utilizado, que modo que – lamentavelmente o percebemos com frequência -, quando a vida já não serve para esse mecanismo, é descartada sem muitos reparos, como no caso dos doentes terminais, dos idosos abandonados e sem atenções, ou das crianças assassinadas antes de nascer.»

 
Abuso de poder

«Que dignidade é possível sem um enquadramento jurídico claro, que limite o domínio da força e faça prevalecer a lei sobre a tirania do poder?»

 
Alargamento

«A consciência da própria identidade é necessária também para dialogar de modo propositivo com os estados que pediram para fazer parte da União no futuro. Penso especialmente naqueles dos Balcãs, para os quais a entrada na União Europeia poderá responder ao ideal da paz, numa região que sofreu enormemente pelos conflitos do passado.»

 
Cristianismo

«Uma história bimilenária liga a Europa e o cristianismo. Uma história que não é privada de conflitos e de erros, também de pecados, mas sempre animada pelo desejo de construir para o bem. Vemo-lo na beleza das nossas cidades, e mais ainda na das múltiplas obras de caridade e de edificação humana comum que constelam o continente. Esta história, em grande parte, está ainda por escrever. Ela é o nosso presente e também o nosso futuro. Ela é a nossa identidade. E a Europa tem forte necessidade de redescobrir o seu rosto para crescer, segundo o espírito dos seus pais fundadores, na paz e na concórdia, porquanto ela própria não está ainda isenta de conflitos.»

 
Deus

«Uma Europa que não é capaz de se abrir à dimensão transcendente da vida, é uma Europa que corre o risco de perder lentamente a própria alma, e também aquele “espírito humanista” que, todavia, ama e defende.» 
«Um dos mais célebres frescos de Rafael que se encontram no Vaticano retrata a denominada “Escola de Atenas”. No centro estão Platão e Aristóteles. O primeiro com o dedo que aponta para o alto, para o mundo das ideias, podemos dizer para o céu; o segundo estende a mão para a frente, para quem olha, para a terra, a realidade concreta. Parece-me uma imagem que descreve bem a Europa e a sua história, feita do contínuo encontro entre céu e terra, onde o céu indica a abertura ao transcendente, a Deus, que desde sempre distinguiu o homem europeu, e a terra representa a sua capacidade prática e concreta de enfrentar as situações e os problemas.»

 
Dignidade humana

«Promover a dignidade da pessoa significa reconhecer que ela possui direitos inalienáveis de que não pode ser privada pelo arbítrio de alguém, e muito menos em benefício de interesses económicos.»


«Afirmar a dignidade da pessoa significa reconhecer a preciosidade da vida humana, que nos é dada gratuitamente e não pode, por isso, ser objeto de troca ou de comércio.»

 
Discriminação

«Que dignidade pode alguma vez ter um homem ou uma mulher que são objeto de todo o género de discriminações?»

 
Economia

«Chegou a hora de construir a Europa que gire não em torno da economia, mas em torno da sacralidade da pessoa humana.»

 
Esperança

«Ao dirigir-me hoje a vós, a partir da minha vocação de pastor, desejo enviar a todos os cidadãos europeus uma mensagem de esperança e de alento. Uma mensagem de esperança baseada da confiança de que as dificuldades podem converter-se em fortes promotoras de unidade, para vencer todos os medos que a Europa – juntamente com todo o mundo – está a atravessar. Esperança no Senhor, que transforma o mal em bem e a morte em vida.»

 
Família

«A família unida, fértil e indissolúvel transporta com ela os elementos fundamentais para dar esperança ao futuro. Sem tal solidez acaba-se por construir sobre a areia, com graves consequências sociais. Por outro lado, sublinhar a importância da família não só ajuda a dar perspetiva e esperança às novas gerações, como também aos numerosos idosos, muitas vezes obrigados a viver em condições de solidão e de abandono porque deixou de existir o calor de um lar doméstico capaz de os acompanhar e apoiar.»

 
Fome

«Não se pode tolerar que milhões de pessoas no mundo morram de fome, enquanto toneladas de sobras de alimentos se descartem diariamente das nossas mesas.»

 
Liberdade religiosa

«Que dignidade existe quando falta a possibilidade de exprimir livremente o próprio pensamento ou professar sem limitações a própria fé religiosa?»

 
Migrantes

«Não se pode tolerar que o mar Mediterrâneo se converta num grande cemitério. Nas barcaças que chegam diariamente às costas europeias há homens e mulheres que necessitam de acolhimento e ajuda. A ausência de um apoio recíproco dentro da União Europeia corre o risco de incentivar soluções particulares do problema que não têm em conta a dignidade humana dos imigrantes, favorecendo o trabalho escravo e contínuas tensões sociais.»

 
Parlamento Europeu

«Vós, na vossa vocação de deputados, sois chamados também a uma grande missão, ainda que possa parecer inútil: tomar-vos de cuidados pela fragilidade, pela fragilidade dos povos e das pessoas. Tomar-vos de cuidados da fragilidade quer dizer força e ternura, quer dizer luta e fecundidade no interior de um modelo funcionalista (...) que conduz inexoravelmete à “cultrua do descartável”. Tomar-se de cuidados pela fragilidade das pessoas e dos povos significa proteger a memória e a esperança; significa encarregar-se do presente na sua situação mais marginal e angustiante, e ser capaz de ungi-la de dignidade.»

 
Perseguições (por motivos religiosos)

«Não podemos esquecer aqui as numerosas injustiças e perseguições que sofrem diariamente as minorias religiosas, e em particular as cristãs, em diversas partes do mundo. Comunidades e pessoas que são objeto de violências cruéis: expulsas das suas próprias casas e pátrias; vendidas como escravas; assassinadas, decapitadas, crucificadas e queimadas vivas, sob o vergonhoso e cúmplice silêncio de muitos.»

 
Solidão (idosos, jovens, pobres, migrantes)

«Uma das doenças que vejo mais espalhada hoje na Europa é a solidão, própria de quem está privado de laços.» 
«Isto vê-se particularmente nos idosos, muitas vezes abandonados ao seu destino, como também nos jovens privados de pontos de referência e de oportunidade para o futuro; vê-se nos numerosos pobres que povoam as nossas cidades; vê-se nos olhos perdidos dos migrantes que vêm cá à procura de um futuro melhor.»

 
Trabalho

«Que dignidade pode alguma vez encontrar uma pessoa que não tem o alimento ou o mínimo essencial para viver, e, pior ainda, o trabalho que o unge de dignidade?» 
«É tempo de favorecer as políticas de emprego, mas sobretudo é necessário voltar a dar dignidade ao trabalho, garantindo também condições adequadas para a sua execução. Isto implica, por um lado, encontrar novas maneiras para conjugar a flexibilidade do mercado com a necessidade de estabilidade e certezas de perspetivas laborais, indispensáveis para o desenvolvimento humano dos trabalhadores; por outro lado, significa favorecer um adequado contexto social que não esteja apontado à exploração das pessoas, mas a garantir, através do trabalho, a possibilidade de construir uma família e educar os filhos.»

 
União Europeia

«[Trago uma mensagem de] encorajamento a voltar à firme convicção dos pais fundadores da União Europeia, que desejavam um futuro baseado na capacidade de trabalhar em conjunto para superar as divisões e para favorecer a paz e a comunhão entre todos os povos do continente. No centro deste ambicioso projeto político estava a confiança no homem, não tanto enquanto cidadão, nem enquanto sujeito económico, mas no homem enquanto pessoa dotada de uma dignidade transcendente.»
«O moto da União Europeia é “Unidade na diversidade”, mas a unidade não significa uniformidade política, económica, cultural ou de pensamento. Na realidade, cada unidade autêntica vive da riqueza das diversidades que a compõem: como uma família, que é tanto mais unida quando mais cada um dos seus membros pode ser ele próprio até ao fundo, sem medo.»

 
Uma longa ovação dos deputados, de pé, saudou o discurso do papa, depois de uma intervenção pontuada por aplausos do hemiciclo, especialmente nas passagens sobre a imigração, o trabalho e a pobreza.

A personalidade de Francisco «orienta em momentos de perda de orientação», comentou o presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, que acrescentou: «As suas palavras ajudar-nos-ão».

O programa do papa em Estrasburgo prossegue com a visita ao Conselho da Europa. A partida para o regresso ao Vaticano está marcada para as 12h50 (hora de Lisboa), prevendo-se que o avião chegue a Roma pelas 14h50.

 

terça-feira, 25 de novembro de 2014

As Virtudes



O cavaleiro e as sete virtudes acompanhado pelo Espírito Santo (século XIII).
Peraldus Knight. An armed knight standing behind the seven virtues ("cardinal virtues") provided by the Holy Spirit in the form of doves from heaven. 2nd or 3rd quarter of the 13th century, after c. 1236.

Fides vs. Veterum Cultura Deorum
Pudicitia vs. Sodomita Libido
Patientia vs. Ira
Mens Humilis et Spes vs. Superbia et Fraus
Sobrietas vs. Luxuria
Ratio et Operatio vs. Avaritia
Concordia et Fides vs. Discordia cognomento Haeresis
Psychomachia, Prudêncio (348-c.410)


segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Monarquia e República Coroada






“Se república quer dizer não-monarquia, em Portugal a república data de Évora Monte. O último Rei de Portugal foi Dom Miguel e não Dom Manuel, como é corrente ensinar-se. Comemorar o advento da república em 2010 não passa de uma dispendiosa (cem milhões, ao que parece) fantasia.”


António José de Brito
Revista Nova Águia
Número 6

domingo, 23 de novembro de 2014

Poesia "Carlo-Miguelista"




Sem dúvida, a história,
Faz-nos mais irmãos,
Porque o trovão carlista,
É o miguelista clarão,

Dois reis, duas pátrias,
Uma aliança peninsular,
Uns povos hispânicos,
Santa Causa para brigar,

Dom Miguel e Dom Carlos,
A real legitimidade,
A usurpação liberal,
Miséria e falsidade,

Conspirações liberais,
Ditaduras e golpismos,
Com seus pedreiros-livres,
Levaram-nos ao abismo,

Dom Carlos tinha,
Zumalacárregui e Cabrera,
E Dom Miguel, pois
O Remexido e os Silveiras,

Autênticos movimentos populares,
Herança do ardor da luta,
Contra o tirano Napoleão,
Que não deixou a Peninsula muda,

Portugal e Espanha,
Tinham católicos reis,
E tudo foi afastado,
Pelo estrangeiro sem lei,

E não só o estrangeiro,
Também a traição, também,
De muitos iberos falsos,
Entretanto, hoje tem que ver...

Contra a nossas terras,
Não podem vir mais enganos,
Porque até na história,
Somos -- gémeos ?-- irmãos,

Dom Miguel reconhecia a Dom Carlos,
E os miguelistas entravam na Espanha,
Povos de causas irmãs,
Duas margens do Guadiana,

Portugal queria aos carlistas,
E os miguelistas queriam a Espanha,
E por esta nobre luta vinham,
A combater realistas da França,

Na Corte de Madrid,
E na corte de Belém,
Espanha e Portugal dizem,
Que não desejam morrer,

Que temos ganhado com
Dois seculos de revolução?
Deus, Patria e Rei,
É a nossa salvação !

As bandeiras que um día,
Ondearam os realistas,
Voltam a ser ondeadas,
Por portugueses e carlistas !

O tradicionalismo (pan)hispânico,
É a única solução,
Pela memória de nossos reis,
Força, luta, benção !


(desconheço o autor)

sábado, 22 de novembro de 2014

Literatura



De Jaime Nogueira Pinto, um romance imprescindível, "Novembro", e um ensaio extraordinário que merece ser lido e pensado "Ideologia e Razão de Estado". Já tenho leitura para os próximos dias, ou melhor dizendo, próximos meses, ou mesmo, para o próximo ano, quando acalmar a febre dos exames e avaliações.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Maria da Fonte


Viva a Maria da Fonte,
a cavalo sem cair
com a corneta na boca,
a tocar a reunir.

e avante portugueses,
e avante sem temer,
pela pátria lusitana,
triunfar ou perecer,
triunfar ou perecer!

viva o rei viva a rainha,
viva a família real.
viva a casa de Bragança,
viva o rei de Portugal!

e avante portugueses,
e avante sem temer,
pela pátria lusitana,
triunfar ou perecer,
triunfar ou perecer!




– A contribuição de repartição, e o imposto  sobre os mortos foi o rastilho...o cálice das amarguras estava cheio, e a bolsa dos povos inteiramente vazia... era todo um povo em massa, todas as Cidades, Vilas e Aldeias de um reino a exprimirem o mesmo pensamento com a mesma energia e pela mesma forma. Foi um facto grandioso e virgem (palavras do miguelista João de Lemos, em 18 de Março de 1847, em carta a D. Miguel). 


terça-feira, 18 de novembro de 2014

Salazar ao encontro de Maurras



Ce que j’ai pris à Maurras...

Ce que j’ai pris á Maurras, c’est l’idée de l’autorité nécessaire, de l’Etat fort. J’ai été également touché par la distinction si nette qu’il établit entre la démophilie et la démocratie.[7] La confusion entre ces deux termes qui est courante chez les politiques et qu’ils ont intérêt à entretenir est la source de beaucoup d’hérésies. Certes, nous aimons tous le peuple.

Mais c’est parce que nous l’aimons que nous ne voulons pas, nous, que le gouvernement soit éparpillé sur toutes les têtes. La Science Sociale m’a fait comprendre que les régimes politiques sont variables selon les circonstances de temps et de milieu. Il n’y a pas de régime politique idéal qui vaille également dans les temps et dans tous les pays, mais il y a certains principes fondamentaux communs à tous les régimes politiques, même les plus opposés, et sans lesquels il n’y a pas de gouvernement possible si l’on entend par gouvernement un gouvernement qui gouverne.

L’entêtement monarchique de Maurras me fait songer á cet élève des encyclopédistes français à qui on commandait des constitutions comme on commande un veston. Maurras est l’inspirateur, d’ailleurs remarquable, des royautés. Ce logicien n’en demeure pas moins l’un des esprits les plus clairs d’aujourd’hui. Son « Politique d’abord » qui, pris absolument, est un point de vue faux, m’a fait du bien en corrigeant l’excès contraire de la Science Sociale qui n’accordait pas assez d’importance au facteur politique.

texto citado de: Au Portugal
Une heure avec M. Oliveira Salazar  
Professeur et dictateur mystique          
par Frédéric Lefèvre 

ler texto completo no blog Malomil 

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

O Universo da Direita - por Jaime Nogueira Pinto




Uma das características do universo da Direita é haver, várias, muitas direitas. É um espaço livre como o resumiu, esse "italiano útil", como lhe chama o João Bigotte Chorão, que foi Giuseppe Prezzolini. E nós procuramos, neste espaço receber, "todas as direitas, as que existem e as que já esquecemos". Falámos disto, há dez anos, em A Direita e as Direitas.
A Esquerda tinha, à partida, uma vocação unívoca, um modelo evolutivo, uma "marcha da História", que ela sabia de onde vinha e (depois de Marx) para onde ia. Não foi assim, como sabemos, para bem de todos.
Mas na Direita essa diversidade sempre foi reconhecida, até nas dicotomias académicas: direita tradicionalista e direita liberal; direita conservadora e revolucionária; direita religiosa e laica; direita realista e idealista; "Nova Direita" e Direita tout court e as "clássicas" divisões de René Rémond, "legitimista", "orleanista" e "bonapartista". A bibliografia sobre estas matérias é imensa e disponível para quem quiser informar-se e estudar.
Os últimos 150 anos da História europeia, a partir dos modelos "constitucionalismo estabilizado", documentam essa profusão e proliferação das direitas: como elas se entenderam, se combinaram, se aliaram, se guerrearam. Como reagiram ao industrialismo, ao urbanismo, à mudança tecnológica, ao socialismo, à Revolução soviética, ao fascismo, à militarização da política de entre guerras. E como resistiram e se adaptaram, em épocas próximas de pensamento único.
Esta diversidade das "direitas" - supõe um denominador comum - a Direita - que, na medida em que conhece estas modalidades político-operativas e "ideológicas", tem que ser "metapolítico" ou "filosófico". Logo o que nos pareceu ser um denominador comum, presente em todas as "direitas", é o nó do problema. Como na Esquerda.
Tal denominador tem a ver com "fundamentos" como o pessimismo antropológico, quer o augustiniano quer o maquiavélico, que desconfia da natureza humana e lhe põe regras e controles - o Estado, as Leis, as instituições intermédias; o realismo, no sentido da linha hegeliana de que "todo o real é racional"; a consideração dos conjuntos metapolíticos e político-territoriais em que precisamente estão os indivíduos, e que são superiores a eles - a Religião, a Nação, a Família; o reconhecimento das desigualdades úteis (Maurras); a análise dos "custos da mudança". E há o historial das direitas anglo-saxónicas, que é diferente. E há o fascismo e a sua classificação à direita ou à esquerda que também é problemática.
Isto é o abc do problema, e está estabelecido, há muitos anos e tratado em centenas de títulos - editados em línguas cristãs e em latitudes civilizadas. Que haja ignorantes arrogantes que queiram fazer de tudo isto tábua rasa, arrombar alvoraçados portas abertas, chegar a casa alheia e dispor dela, sem legitimidade de ser, ou de saber, é que é surpreendente. Portugal no seu melhor..


sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Salve Rei!


D. Miguel de Portugal, Queluz, 26 de Outubro de 1802 — Jagdschloss Karlshöhe, Esselbach, Grão-ducado de Baden, 14 de Novembro de 1866.


Rei! no dia em que descestes
Do Vosso throno real
Apagou-se a luz da gloria,
Cerrou-se o livro da historia
Do Reino de Portugal.

Camilo Castelo Branco




sexta-feira, 7 de novembro de 2014

João de Lemos - poeta miguelista e patriota



Poema do poeta miguelista João de Lemos (Peso da Régua, 1819 — 1890), conhecido como "o Trovador", nos seus tempos de Coimbra, e, até ao fim da vida, um tradicionalista estrénuo, tendo desempenhado algumas funções diplomáticas ao serviço do rei D.Miguel. Na literatura foi cultivador de uma poesia ultra romântica e delicada, por vezes marcado pela nostalgia da pátria e da terra natal, e, no combate político, uma pena feroz e acutilante. Homem de cultura, marcadamente um dos poetas"malditos", riscados do mapa literário por imposição dos vencedores, não fosse João de Lemos a voz dos miguelistas resistentes. Permaneceu, até ao fim, fiel aos seus ideais, sempre fiel ao seu Rei.

"Portugal"

Quem sou... quem fui? Toda a terra
Que o diga, que o aprendeu;
Diga-o na paz e na guerra,
Diga-o ela, que não eu!
Quem fui, que o digam cem povos,
Que o digam os climas novos
Por onde primeiro andei;
Que o digam cristãos e mouros,
Que o digam troféus e louros,
Que eu nem dizê-lo já sei!