segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Hymno Real de D. Miguel I


Exalta pátria ditosa 
De gala os ornamentos veste 
Pois um dia já pudeste 
a perfidia aos pés calcar 
A perfidia aos pés calcar.

Viva El-rei Miguel Primeiro 
Viva a família real 
Viva Deus
Viva o Deus de Afonso Henriques 
E a nação, a nação firme e leal,
a nação firme e leal, 
a nação firme e leal, 
a nação firme e leal.

Se Miguel nos vastos céus 
Anjos maus fez confundir
E Miguel no trono Luso
Que os maçãos vai destruir,

*
E Miguel anjo da paz,
É o grande general,
É o rei por Deus mandado
Para reger Portugal.

As sábias leis que do trono,
Miguel aos lusos ditar 
Farao Lisia recobrar 
A perdida antiga glória.













quinta-feira, 25 de setembro de 2014

No dia em que Otelo apareceu...





Por vezes a história bate-nos à porta de forma inesperada. Lembro-me do dia em que me cruzei com o infame Otelo Saraiva de Carvalho, e posso aqui escrever conscientemente sobre esse dia. Após tantos anos creio que não fará diferença. Não que me fascine a criatura, ou que me desperte simpatia, mas porque recordar estes momentos é sempre uma animação para a memória. 

Decorria o ano de 2010, e o antigo revolucionário, de aparência um tanto tonta, surdo que nem uma porta, falava aos alunos do liceu da sua aventura revolucionária, entre deixas ensaiadas, entre corolários básicos arrancados à ideologia que ainda professava e adaptados ao seu narcisismo, como se o país lhe devesse alguma coisa (além das bombas e das prisões arbitrárias). Eu estava sentado ao lado da criatura, a pedido de algumas vozes bem intencionadas. Aceitei o convite, como jovem inocente e imberbe de dezassete anos, indiferente às questões de partido e alheado das ideologias. Sentado ao lado da criatura, de vez em quando fintava o aparelho auditivo enroscado na orelha, o qual, aliás, era impossível não notar. 

Como é da praxe, no final das conferências, permitem-se questões.  Nesse momento, o "revolucionário", completamente atordoado, de olhar perdido, volta-se para mim e num acto trágico (e bastante cómico) apela-me: "É pá! O que é que estão a perguntar, é que eu sou um bocado surdo!" Lembrei-me de repetir a deixa a alguém, que ironizou: “Surdo? Deve ser das bombas que fez explodir!”

Não posso ser de todo injusto, Otelo, quando a confraternizar, na pacatez de um almoço, até consegue dialogar com ligeireza e acato. No fundo, um contador de histórias. Porém, não se pode exigir muito do ex-revolucionário, sem capacidade para abrir um diálogo franco e inteligente, porque o homem apenas conhece aquilo que viveu (e conhece a sua versão dos factos, bastante rudimentar e primária), à sua maneira, na sua realidade, na sua dimensão, onde apenas existe o “Otelo-capitão-de-Abril", esse inigualável revolucionário de estripe guerreira.

Há qualquer coisa de irónico naquele indivíduo. Este homem que herdou um nome shakespeariano longe está de ombrear com o grande drama ou com a grandeza romântica do mouro de Veneza. De estratega reconhecemos muito pouco, não é propriamente o carismático general do exército vermelho, ou aquele orador do tempo da convenção. O que representa este homem então? Talvez represente a sua própria sombra. O que lhe faz falta, na verdade, é a ribalta, longe dos holofotes perde significância, reduz-se aos lugares comuns e às suas histórias mirabolantes. 

Um fenómeno patológico interessante, mas não de todo original, vindo dum homem completamente alheado da realidade. Aquela tentativa de parecer grande aos olhos da história numa afirmação tresloucada, a incoerência nos argumentos, a petulância disfarçada de humildade, comum nos homens pequenos e fracos, e aproveitando a ingenuidade de quem o ouvia (sorte a dele!), ou a boa fé de quem o tolerava, são traços comuns ao demagogo da esquerda, tão necessitados de atenção, tão crentes no seu poder, quando na verdade pouco simbolizam. Facilitam-lhes sempre os idiotas úteis ou os inocentes do costume. Assim conhecemos Otelo, um misto de pároco senil e de agonizante pregador, daqueles que, ao fim de uma hora, já não suportamos ouvir e só pedimos que se cale. 

A certa altura pediu para ir à casa-de-banho. Os professores, que inicialmente faziam questão de o ajudar, não sei por que motivo, perderam o homem de vista, julgando então que o idoso senhor tivesse decidido procurar o que tanto ansiava... Pouco depois apareceu Otelo. Os professores conduziram-no imediatamente ao auditório, num misto de júbilo e regozijo. De súbito, Otelo, de olhar perdido e sem saber como reagir apela: “Eh pá! Precisava de uma casa-de-banho”- ao ouvir estas palavras, os professores ficaram atordoados, afinal o homem tinha andado perdido pelo liceu. A capacidade de orientação não é das mais prodigiosas para quem invoca jubiloso o facto de ter liderado uma revolução. Mas Otelo é um caso excepcional.

Assim decorreu a visita do velho soldado. Apenas neste país um homem daqueles pode ser adorado como herói. A Revolução de Abril foi um despertar de bestas e de insanidades, não ignoro o que de bom possa ter advindo para o nosso futuro colectivo, mas saliento o mal que dela despertou e do tipo de gente que dela se apropriou. Neste país, quem tem cravo na lapela é herói, infelizmente a verdade é bem diferente, longe da ilusória grandeza da esquerda que julga ter conquistado o mundo nesse dia serôdio. 

O que conheço do 25 de Abril foi-me transmitido num misto de alegoria viva e poética, ao constante papaguear das virtudes revolucionárias, quase sempre obrigado a pintar cravos em cartazes desde a escola primária, e a ler poemas medíocres de autores que não vale a pena lembrar, e acho que já ninguém deles se recorda. 

A verdade histórica, a verdade nua e crua, ao jeito rigoroso e exigente, sem nostalgias, nem exaltações desmedidas, só muito mais tarde, e, mesmo assim, ainda com grandes dificuldades em extrair alguma substancialidade. Analisar os factos, longe de motivações ideológicas que sempre acalentam os sentimentos mais incipientes (quer a rudimentar perspectiva marxista ou os corolários básicos da esquerda, ou mesmo sem cair nos ódios e recalcamentos à direita) só mais tarde. Mas hoje, passados quarenta anos, a maneira de pensar aquele dia (o dia em que tudo mudou de forma inesperada) está mais rigorosa, os acontecimentos podem ser analisados de forma mais coerente e sem os atropelos da metafísica revolucionária. 

Conhecer Otelo ajudou-me a perceber, em parte, o que motiva certos homens a uma grandeza ilusória: a sua própria insignificância. 

terça-feira, 23 de setembro de 2014

"Charles Maurras, o grande doutrinador francês"






Texto "roubado" ao blog"Causa Nacional", e onde pode ser lido integralmente, a partir das palavras de Alexandre A. Pinto Coelho do Amaral, em "Tradução e selecção  (In Mensagem, n.º 8, págs. 7/8, 15.12.1947)". Aqui reproduzem-se as palavras de Charles Maurras, alguns excertos, parágrafos mais significativos da sua obra, escolhidos por A.Pinto Coelho. 


"Sim, a República é o mal, sim o mal inevitável em República. E o que nós dizemos da Monarquia é que ela é a passibilidade do bem. O bem público, impossível em República; mesmo numa Monarquia que se afaste do seu fim, o mal público permanece muito menos nocivo que em república, pois está sempre sujeito a acabar, com o mau ministro ou o mau rei, e o mal republicano, sendo inerente à República, só com ela poderá terminar."

***

"Para a maior parte dos homens do séc. XIX, e hoje ainda absolutismo é sinónimo de despotismo, de poder caprichoso e ilimitado.

É absolutamente inexacto: poder absoluto significa exactamente poder independente; a monarquia francesa era absoluta uma vez que não dependia de nenhuma outra autoridade, nem imperial, nem parlamentar, nem popular: mas nem por isso ela deixava de ser limitada, temperada por uma multidão de instituições sociais e políticas hereditárias ou corporativas, cujos poderes próprios a impediam de sair do seu domínio e da sua função. O seu direito confinava com uma multidão de direitos que a sustinham e equilibravam. A antiga França estava eriçada de liberdades."

***

"É preciso regressar a um regime que restabeleça a distinção entre Governo, encarregado de governar, e a Representação encarregada de representar."

***

"A República tem a necessidade de se impor às consciências, uma vez que repousa sobre as vantagens. Ela tem necessidade do entusiasmo dos seus súbditos, que são os eleitores a que, nominalmente, constitucionalmente, têm nas suas mãos o seu destino.

Ao contrário, a Monarquia existe pela sua própria força suâ mole stat. Não tem necessidade de consultar a cada instante um pretenso soberano eleitor. Basta-lhe, em suma, ser tolerada, suportada, e no entanto ela tem sempre mais e melhor, precisamente porque o seu princípio não a obriga a importunar as pessoas, a ei-las a intimar constantemente a acharem-na bela.

A República é uma religião. A Monarquia é uma família. Esta de nada mais necessita do que a achem aceitável. Aquela exige que sigamos os seus ritos, os seus dogmas, os seus sacerdotes, os seus partidos."


O Rei

"Corruptível enquanto homem, o Rei tem como Rei uma vantagem imediata e sensível em não ser corrompido: a sua regra de sensibilidade é de se mostrar insensível a tudo o que não afecte senão o particular, o seu género de interesse é o de ser naturalmente desprendido dos interesses que, abaixo dele, solicitam todos os outros: este interesse é o de se tornar independente.

O Rei pode-o desfazer, pode-o esquecer. Ponhamos as coisas no pior. Um espírito medíocre, um carácter fraco expõe-no ao erro e ao desprezo. Nada disso importa! O seu valor, o valor de um homem é incomparavelmente superior ao da resultante mecânica das forças, à expressão de uma diferença entre dois totais.

Pouco que valha o seu carácter ou o seu espírito, ainda assim ele é um carácter, um espírito, é uma carne de homem, e a sua decisão representará humanidade, enquanto que o voto de 5 contra 2 ou de 4 contra 3 representa o conflito de 5 ou de 4 forças contra 2 ou 3 outras forças. As forças podem ser, nelas mesmas, pensantes, mas o voto que as exprime não pensa: quanto a ele, não é uma decisão, um juízo, um acto corrente e motivado, tal como o desenvolve e encarna o Poder pessoal de uma autoridade consciente, nominativa, responsável."

***

"Este poder julga em qualidade. Aprecia os testemunhos em lugar de contar as testemunhas.

Bem ou mal, é assim que ele procede, e este processo é, em si, superior ao processo de adição e subtracção.

Tendo interesse em saber a verdade afim de fazer justiça, ele encoraja uns, tranquiliza outros e por vezes não ouve senão um, se um só lhe parece digno de ser ouvido. Se for caso disso, ele defende-o contra as ciladas e as tentações dos poderosos. Este discernimento humano dos valores intelectuais e morais difere, como o dia da noite, do processo cego e grosseiro das democracias. A ideia de tudo reduzir a uma espécie de combate singular ou a uma batalha geral dos interesses em causa é uma regressão, reflecte sob uma força nova e muito menos bela, aqueles duelos judiciários de que os predecessores de S. Luís já se mostravam indignados.

Só a barbárie pode ter confiança nas soluções das maiorias e do número. A civilização faz intervir, sempre que possível, o discernimento da verdade, o culto do direito. Mas isso supõe que o Um, tomado por juiz e por chefe, se distingue das forças chamadas a ser arbitradas por ele. O soberano não é súbdito, o súbdito não é o soberano. Misturando-os, a democracia baralha tudo, complica tudo, retarda tudo, e a sua degressão devolve tudo aos mais baixos estádios do antigo passado." 

sábado, 20 de setembro de 2014

"O Mundo de Antes - nobreza e liberdades feudais"




"Junger é um bom juiz da liberdade. Os "últimos troncos" da nobreza alemã, redutos do espírito de liberdade, tinham resistido a tudo até 1914 - e mais que resistido. Eram eles que davam o mote. Acontecia o mesmo por toda a Europa.

Muito antes daquilo a que chamamos Idade Média, a nobreza teve por função mandar, combater e proteger. A cavalaria homérica fizera-o no seu tempo, os patrícios romanos também, assim como os homens livres da Germânia descrita por Tácito ou os nobres Gauleses que César combateu. A nobreza não se confunde com os privilégios de uma classe decadente, que se tinham tornado insuportáveis na França de 1789. Só em parte dependente da hereditariedade, assenta também no mérito e este tem de ser confirmado em cada geração. A nobreza ganha-se e perde-se. Vive da ideia de que o dever e a honra têm mais peso do que a felicidade individual. Enquanto persiste na sua essência, a baixeza nunca será para ela uma tentação mas um sofrimento. A sua vocação não é ocupar o topo da sociedade mas sim o do Estado. O que a distingue é ser seleccionada e formada para comandar. Governa, julga e conduz ao combate. As suas terras de eleição são as liberdades feudais e as monarquias aristocráticas ou constitucionais. Estiola ou desaparece sempre que se estabelece um poder despótico, que é o centralismo estatal.

Desorientados pelas imagens da nossa época, é-nos difícil recordar que, na história europeia, o que é excepcional é o poder anónimo e abstracto do Estado burocratizado, instalado a partir do século XVII, e não o poder pessoal da nobreza no seio da "res publica". No longo prazo, a nobreza demonstrou notáveis faculdades de adaptação e de longevidade. Na Europa, antes da Primeira Guerra Mundial, todas as grandes potências, com excepção da França, eram ainda monarquias apoiadas em nobrezas vigorosas e "modernas". Isto só acabou entre 1917-18, com a destruição dos três grandes impérios europeus. 
(...)

A morte da nobreza foi no entanto lenta e, sem dúvida, não absoluta, tanto é verdade que renascem sem fim e de forma inesperada certos traços que a caracterizam. O nosso mundo político e cultural continua a ter para com ela uma dívida da maior importância. A ela se deve a noção de liberdade aplicada aos indivíduos e às comunidades. Ainda antes dos tempos carolíngios, nobre era o homem verdadeiramente livre, portador de uma arma, apto, assim, a defender os seus direitos e os dos seus. A nobreza inglesa fê-lo no princípio do século XII, impondo a Magna Carta. Cerca de meio milénio antes, em 843, em Coulains, a nobreza do reino franco ocidental tinha feito reconhecer os seus direitos por Carlos, "o Calvo". (...) Essa mesma nobreza determinou as fronteiras do que serão a França e a Alemanha medievais (...).

Ao contrário das nobrezas do antigo Império germânico, da Prússia, da Hungria, de Inglaterra, de Espanha, e de outros reinos Europeus, a do reino da França deixou-se estrangular, após um fulgurante passado. Nobreza domesticada, aqui, nobrezas vigorosas ali. Esta dupla evolução gerou dois mundos diferentes: o planeta morto do Estado à francesa e o universo ainda vivo, apesar de todas as catástrofes históricas, do mundo britânico ao dos países da Europa Central.

A luta vitoriosa da monarquia centralizadora contra a "feudalidade", isto é, contra o vigor feudal, é celebrada unanimemente em França. O resultado é de facto impressionante. Em fins do século XVIII a Revolução triunfou aqui [França], enquanto fracassava em toda a parte, graças à presença de uma nobreza que se mantivera viva."

Dominique Venner, "O Século de 1914 - Utopias, Guerras e Revoluções na Europa do Século XX", editora civilização, 2009.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

"A «Anarquia» e a partilha dos despojos"



"Dono do Estado, com D. Miguel no exílio e os miguelistas derrotados, o «liberalismo» tinha antes de tudo de reconstruir e «liberalizar» o país. Tirando uma vaga franja reformista, ninguém seriamente duvidava de que a «liberalização» devia ser a da França de 1791, com algumas correcções da França napoleónica. Mouzinho da Silveira, um homem primário e presumido, que a historiografia posterior transformou em herói, encarnava essa convicção teórica e política. Mouzinho queria «libertar» a terra, a agricultura e o comércio; submeter a Igreja secular e abolir a regular; e geralmente substituir o particularismo «antigo» por uma organização e administração racional do Estado. Isto na prática significou a extinção de privilégios (de pessoas, de vilas, de municípios, de instituições); de direitos «feudais» de vários géneros e espécies (incluindo os direitos foraleiros, que no entanto em alguns casos duraram até 1975); da dízima, dos conventos (com excepção de uma dezena, onde se concentraram as freiras sem família ou sem meios), das milícias e da reserva territorial, a que se chamava ordenanças. Mouzinho também «nacionalizou» os bens da coroa , da Igreja regular e parcialmente os da Igreja secular, que adquiriram, como é óbvio, o nome patriótico de Bens Nacionais. E acabou com uma reforma em que dividia o funcionalismo em três ramos: judicial, fiscal e administrativo. No capítulo propriamente administrativo, criou, como Napoleão, um Estado centralizado, dividindo o território em províncias, comarcas e concelhos (...)
Como seria de esperar, esta operação brutal e abrupta estabeleceu o caos. Quando os contemporâneos se referiam à época entre 1834 e 1840-42 como «a Anarquia» não exageravam. As figuras tradicionais da autoridade - o fidalgo, o oficial de milícias, o capitão-mor, o corregedor, o padre e o frade - desapareceram de um dia para o outro. Em seu lugar vieram os "pachás", "subpachás" e provedores, pequenos tiranos, que ninguém respeitava e que roubavam e extorquiam (muitas vezes pela tortura), em proveito do Estado e em seu próprio proveito. Mas como o novo regime, com a dissolução das milícias e a ausência de uma polícia rural, não tinha meios para garantir a ordem na província, a dois passos de Lisboa e do Porto, o verdadeiro poder eram bandos (muitos formados a título de guerrilhas antes de 1834) que, embora proclamassem pelo «liberalismo» ou por D. Miguel, viviam de facto de assaltar as populações."

Vasco Pulido Valente, "Portugal Ensaios de História e de Política", editora Aletheia, 2009.



terça-feira, 16 de setembro de 2014

Jaime Nogueira Pinto integral no IDL 7.05.2014




Jaime Nogueira Pinto convidado À Mesa do IDL subordinado ao tema "A Direita, as direitas e o 25 de Abril (1974-2014)".

sábado, 13 de setembro de 2014

Princípios Realistas





Tomei a liberdade de partilhar os princípios que movem o pensamento Realista. Creio que todo o monárquico devia professar um mesmo credo.  Pode ser lido no site da Resistência Popular Realista


1) Entendemos o Homem como Pessoa no pleno uso dos seus direitos naturais e o Estado como seu servidor;

2) Defendemos o respeito e a protecção da Família como célula-base da estrutura social, responsabilizando-a como educadora;

3) Defendemos que todo o português tem o dever da defesa da Pátria;

4) Defendemos a liberdade de pensamento e a responsabilidade da sua expressão;

5) Defendemos a propriedade privada e uma perspectiva económica não especulativa e de valorização ética de mais-valias, com ênfase na procura da auto-suficiência alimentar e da satisfação das necessidades básicas da população;

6) Defendemos a relação do Homem com o território numa base ecológica e de sustentabilidade dos recursos;

7) Defendemos o princípio da subsidiariedade;

8) Defendemos as comunidades locais como base da organização político-administrativa;

9) Defendemos que a democracia orgânica se deve sobrepor à democracia inorgânica e que a representação directa seja exercida a todos os níveis;

10) Defendemos o Rei dinástico como o defensor das liberdades da res-publica e como o seu Supremo Magistrado na Justiça, Forças Armadas e Diplomacia.

Julho de 2011

José Manuel Quintas
José Carlos Morais
Único Pessoa
Maria Leonor Martins de Carvalho

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Comemorar o genocídio



Todos os anos a 14 de Julho os Franceses comemoram o dia da "Revolução", aquela que inspirou as modernas formas de controlo das massas, adoptadas pelas congéneres revoluções russa, chinesa, vietnamita, cubana, além das "experiências" revolucionárias conhecidas nos vários países africanos do pós-colonialismo, terrenos fértil à propagação do ódio e dos recalcamentos antigos, prestes a fervilhar num caldeirão explosivo, condenando a história e reescrevendo o passado ao bel-prazer da "moda" marxista, das leituras de Mao, ou de Marx, formas radicais e destrutivas já anunciadas pela "mãe" de todas as monstruosidades, a Revolução Francesa. Robespierre ou Marat anteciparam os massacres que Lenine, Estaline, Mao, Pol-Pot ou Fidel Castro perpetraram no século XX. Copiado onde provesse efeito, nos assaltos às ordens religiosas, no caso típico português, na ideia de criar um "homem novo" já analisado por Rousseau e que as esquerdas tanto estimam, a Revolução Francesa tornou-se um "ícone" para intelectuais vanguardistas e ingénuos úteis às maquinações totalitárias.  

Alguns momentos deste processo revolucionário, recheado das mais vis práticas políticas, dos mais insolentes ataques à ordem e ao Direito, e dos mais sádicos propósitos, continuam a suscitar polémica e, pela barbaridade dos actos, preferem ser esquecidos à luz dos regimes modernos demo-liberais, incapazes de se reconciliarem com o seu passado sanguinário. O período conhecido como "O Terror" é a marca da Revolução Francesa - e é epíteto mais que conveniente às revoluções propagadas ao longo da modernidade. A 4 de Setembro de 1792, dá-se massacre nas prisões de Paris pelos sans-culottes. Durante os dias 2 e 3 de Setembro de 1792, uma multidão armada com barras de ferro, lanças e porretes cerca as prisões de Paris. Entre as vítimas encontrava-se a princesa de Lamballe, barbaramente assassinada por se recusar a tecer falsos testemunhos contra os reis de França. Entre Setembro de 1793 e Julho de 1794, 16,594 pessoas foram mortas na guilhotina (só em Paris morreram 2,639) e mais de 25, 000 pessoas foram mortas em várias regiões da França. Na revolta camponesa contra a revolução, na Vendeia, contabilizam-se mais de 240,000 mortos, entre 1793 e 1796 (perdas imensas numa desastrosa guerra civil), além dos milhares de mortos contabilizados na guerra da Chouannerie. A liberdade, igualdade e fraternidade acabavam de chegar, num banho de sangue.

Porém, o fenómeno comemorativo da Revolução Francesa não deixa de ser curioso. Afinal, essas comemorações mais não são do que tipicidades deste nosso velho continente, capaz de chorar a morte de um ente, ou chorar individualmente uma tragédia, mas, paradoxalmente, capaz de celebrar a morte de milhões, o que recorda a cínica e lapidar frase de Estaline, quando observava que "uma morte é uma perda mas um milhão de mortes é estatística" ou, diríamos nós, motivo de marchas militares e foguetes. Uma mesma acepção se retira das celebrações da Primeira Guerra Mundial, misto de festejo maldito, lembrando o fim da nossa civilização sem que alguém extraia uma ideia sequer, como se a história dramática do nosso mundo fosse um episódio "hollywoodesco", para aplaudir entusiasta, e mesmo perguntar se foi porventura possível ou real e se se não trata antes da imaginação do artista (ou antes, "imaginação" do historiador). 

O nosso mundo é uma ficção para adolescentes sentirem a leveza do século democrático. Ou para os políticos, desprovidos de apoio popular, e cujo poder que, mesmo assente na vontade da maioria, não exprime verdadeiramente os desejos e ambições do "povo" (digo: dos eleitores e da massa crítica dos cidadãos), procurarem assim um motivo de legitimidade, na abstracção das ideias, ou nas comemorações grandiloquentes entre cavalarias, espadas e foguetes, no sentido de "higienizar" as catástrofes, conferindo uma áurea "humanista" à tragédia, e recriando a história (no fundo, uma fábula), na ambição de conquistar uma legitimidade que, aos olhos dos governos fracos e instáveis da Europa, parece cada vez mais periclitante. Já em Portugal, quando não andam os "tristes" da maçonaria a gritar vivas à república, preferimos reconfortar-nos a contar os cravos nas baionetas e a inventar histórias de uma história cada vez mais ficcionada. 





domingo, 7 de setembro de 2014

Vandalismo politicamente organizado



Porque um imbecil qualquer tem ensejo na destruição da memória colectiva portuguesa. Um imbecil que está na Câmara de Lisboa e os seus sequazes imbecilizados têm prazer em aniquilar a História de Portugal. Um conluio de recalcados políticos empedernidos de ódio e de estupidez à mistura. Comprova como na humanidade há pessoas que levam a estupidez aos limites da ignomínia. Até há pessoas capazes de fazer da estupidez arte política. É caso para dizer que a "política" portuguesa anda muito mal acompanhada. Ou melhor, o meu país anda muito mal acompanhado. 
Portugal, de cabeça de império reduzido ao rectângulo na Península, cuja memória guarda quase nove séculos de expansão, crescimento, depois recolhimento e decadência, condenado a ser vigiado por esta terceira República de marasmo e tristeza. Portugal, dos teus nove séculos restam os imbecis no trono para zelarem por ti. Não vou dizer que os políticos de ontem foram melhores do que os de hoje. Digo apenas que os nossos homens públicos de hoje herdaram toda a estupidez do passado e nenhuma virtude. Pobre do nosso Portugal entregue aos idiotas. 

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Manter de pé o trono...





Do livro "O Socialismo na Monarquia - Oliveira Martins e a «Vida Nova» (1944):

"O Rei é morto! Viva o Rei!"
«Mas se é dever nosso manter de pé o trono levantado hoje, é dever também que se cumpra para connosco as obrigações do principado. O período funesto às monarquias foi aquele em que reinar se considerou a mais regalada forma de viver. Envaidecidos pela tradição, reis houve que tomaram o cargo como uma conezia, quando de facto é, ou tem de ser, o mais grave, o mais penoso, o mais duro, de todos os ofícios preparados ao homem. Por isso mesmo é mais cheio de honra, porque nesses símbolos majestáticos não pôs a ideia outra coisa senão os emblemas visivelmente expressivos da honra que vem ao homem do facto de consubstanciar em si as ambições e as vontades, as alegrias e os sofrimentos de um povo inteiro.»
«Nem os reis sibaritas, nem os reis manequins, segundo a forma hipócrita de alguns doutrinários do nosso tempo, nenhum desses tipos de soberano é adequado às necessidades dos nossos dias, em que o principado, para se manter, nem há-de ser uma sinecura nem uma superfectação.»


- citado, Oliveira Martins, no Jornal "O Tempo", aquando da aclamação do jovem rei D. Carlos.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

António Sardinha sobre a tradição




Toda política verdadeira se funda na Tradição. Isso não quer dizer que seja fóssil e retrógrada como dizem os agentes da anti-nação. A Tradição é a base para o progresso real, pois é acervo de valores espirituais realistas que plasmavam na lama da Nação através de sua formação histórica.[1]
(...)
Filosófica e historicamente nosso conceito de tradição equivale a dinamismo e continuidade. Estamos, por isso, bem longe de nos confinarmos numa ideia saudosista da sociedade que foi ou das gerações que passaram. Pelo contrário, abertos às solicitações clamorosas deste instante de febre, olhamos o futuro com um alto desejo de o prepararmos, melhor e mais belo do que é a actualidade tão horizontal e espessa em que vivemos.[2]

[1] MONARQUIA: Órgão de Chefia Geral Patrianovista – Sem Rei não há UNIÃO NACIONAL. Ano IV, n. 22. Director: Arlindo Veiga dos Santos. Redactor Chefe: Arlindo Batista Pereira. São Paulo: Setembro- Outubro de 1958. p. 3. APHRC/FPS - cx: 134.040.

[2] SARDINHA, António. Ao Ritmo da Ampulheta. 2ª ed. Lisboa: qp, 1978. p. 22. (grifo do original).