quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Nas origens da grande guerra (uma breve nota)





Mapa de 1877, bem ilustrativo da crise europeia. O polvo gigante russo que procura com os seus tentáculos alargar o espaço dominante no leste europeu e no oriente, impedido quer pelo Império Otomano, quer pela barreira constituída pelos impérios centrais, enquanto a França prepara armas contra a a Alemanha (ou vice-versa), dois declarados inimigos com sede de vingança, desde a derrota francesa em 1870 e a unificação alemã em 1871. A Alemanha e a Itália, também unificada em 1870, no Risorgimento, são Estados cujas origens despontam em fenómenos de pangermanismo e de nacionalismo, respectivamente. A Áustria-Hungria, a monarquia dual, tenta ripostar ao grande tentáculo russo cobiçando os Balcãs, autêntico barril de pólvora cujo rastilho estava pronto para ser acendido. Quanto à Inglaterra, preocupada com os domínios além-mar, nem sequer olha o Continente (onde, aliás, só intervém quando tem interesses que lhe convem). O mapa é de 1877 e a geografia política parece já anunciar a catástrofe. Uma espécie de "guerra fria", um período que já os antigos imperadores da era clássica chamavam "paz armada", a necessidade de mostrar a força dos exércitos para alcançar a paz. No meio destes atritos, das confusões numa geopolítica tão delicada, percebe-se porque é que em 1914 a Europa entrou inevitavelmente em guerra.


Sem comentários:

Enviar um comentário