terça-feira, 1 de julho de 2014

No centenário da Grande Guerra



O suicídio colectivo do nosso mundo (o deflagrar da Primeira Grande Guerra motivo de celebração quando na verdade deveria ser o luto pelo fim do Euromundo e da Europa enquanto civilização) pode não ser a morte derradeira de um espaço que sempre se soube regenerar. Não acabou o mundo com a fuga de Rómulo Augusto, nem com a queda de Constantinopla, nem com o saque de Roma, nem com as barbaridades do ditador Napoleão, nem tão pouco com as duas grandes e monstruosas guerras do século XX (os cem anos de guerra civil europeia). O nosso continente Europeu tem no escopo a grande herança de Homero, Virgílio, Dante, Camões, Shakespeare, do mundo Helénico ao Império Romano legou obras e pensamentos que moldaram a nossa maneira de ser e agir. Da Idade Média legou a memória do Sacro-Império, e depois as grandes dinastias dos reis da França, na Itália concebeu o Renascimento, e de Portugal lançou caravelas ao novo mundo. O continente Europeu é fonte de regeneração, auto-destrói-se e reconstrói-se novamente, como uma Fénix, apesar de ninguém conseguir adivinhar o espaço e duração das crises, como se o armagedão viesse seguidamente e amanhã estaria a nossa pátria ocupada por forças desconhecidas, numa alegoria grotesca ao estilo dos pregadores que anunciavam as fúrias de Deus. Faz parte do nosso pessimismo conceber as maiores catástrofes e o fim dos mundos, porém, um povo suficientemente engenhoso para olhar optimista para o futuro na construção de um mundo melhor.

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