domingo, 9 de março de 2014

Rússia, na alvorada do século





Uma rara gravação onde se ouve a voz do Czar Nicolau II, é interessante notar que nos gritos de "Hurrah Hurrah!" ouve-se também a voz de uma criança, talvez do Tsarevich Alexei Nikolaevich, seguindo-se a orquestração com toda a pompa, são ovações de um império ainda sólido e de elites confiantes. Debaixo da autocracia do Czar as transformações aceleravam, a sociedade transformava-se, ainda que se descobrissem grandes antagonismos entre as classes possidentes e aqueles mais desfavorecidos - porém, não se compare: desde meados do século XIX mais de 23 milhões de pessoas tinham alcançado a liberdade graças ao fim da servidão, permitindo também que milhões consigam (e venham a conseguir) adquirir terras. Graças às grandes reformas, perpetradas desde a era de Alexandre II, o Czar liberal, até Pierre Stolypine, o ministro de Nicolau II, o grande reformador das propriedades, a paisagem do império transforma-se, dinamiza-se, o crescimento económico impressiona as nações ocidentais, e o poder do Czar está bem sedimentado e enraizado entre a população, e apenas as novas tendências intelectuais, as influências que desde Napoleão e a descoberta, por uma certa elite russa (a inteligentsia que constitui também uma categoria social), das novas ideias vindas da França, primeiro, e, mais atarde, com a divulgação do socialismo, vão por em causa. Não fosse um século dramático, com um Czar amável, mas fraco face ao cataclismo que se avizinhava, a história da Rússia podia ter sido bem diferente. 









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