sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Último Herói Português


Henrique de Paiva Couceiro, Herói da Contra-Revolução Monárquica, paladino da monarquia, um D. Quixote para quem nele via a ressurreição do espírito vivo de um país aguardando nova alvorada, epíteto romântico ou herói frustrado face às intempéries da história, militar consciente a quem o dever sempre obrigou à acção, não se esquece como as armas que empossou por três vezes assolaram e assustaram a República de 1910. Também herói por reencarnar o guerreiro de alma pura e actos nobres ao serviço do rei exilado, mas sempre corpo e espírito presente ao aguardar da alvorada. Paiva Couceiro podia encarnar aquele soldado que cedeu em Alcácer-Quibir, na impetuosidade do Império que rasgava o seu curso no Atlântico, ou o mesmo conjurado de 1640, aclamando a independência e ressurgimento da pátria ocupada, agora corpo ressurrecto e vivo na pessoa de D. João IV. Foi Paiva Couceiro o andarilho errático face aos desertores e aos traidores, aos vira-casacas. Foi o último dos guerreiros do Portugal histórico, depois abandono continuado às fraquezas dos burocratas. Homem demasiadamente grande para as pequenezas dos politiqueiros, dos falsos ídolos. Serviu o seu rei, e portanto serviu Portugal. A sua acção não foi facilitada. Ao declínio já anunciado pelas revoluções do século XIX surgia nova ameaça no século XX, vacilava o século no contínuo desmembramento do que restava da outrora imperialista Europa e desfazava por fim o Portugal dos heróis ao vício dos comodistas. Aos defensores da realeza do rei vinham agora os deturpadores e os demagogos. Paiva Couceiro permaneceu incólume face à mudança, primeiro porque esta representava não uma evolução mas um destrutivo elemento à liberdade do próprio país, depois, porque compreendia que o futuro dependeria do Portugal na sua extensão atlântica e na sua unificação em torno da coroa, compreendia também a grandeza de um passado e a fraca ambição dos homens do presente. Depois dele, depois da coragem por quem se bateu pelas causas justas e simbólicas, sucedeu o declínio. Sem caminho definido Portugal caminha hoje desamparado, de cabeça de Império reduzido a província numa Europa desencontrada com a sua identidade, sarcófago de culturas adormecidas num cemitério monumental, apenas regozijo de turistas. Paiva Couceiro prevalecerá, aos sonhadores, aos combatentes, aos idealistas, aos guerreiros, como vínculo de promessa ao restaurar das energias perdidas de uma nação cansada, uma nação que procura novamente um retorno à sua verdadeira identidade.