segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Jaime Neves, oficial patriota




“O Coronel Jaime Neves serviu no Ultramar onde adquiriu justa fama de ser um oficial corajoso, criativo e com grandes capacidades de chefia, qualidades atestadas em missões operacionais. Militar, mas também e sobretudo, homem de guerra.

O Coronel Jaime Neves iniciou a sua carreira militar servindo na Índia Portuguesa. Em Angola, como capitão, comandou a Companhia 365 de Caçadores Especiais. Fez depois o curso de Comandos, também em Angola, e pertenceu à Segunda Companhia da qual farão parte como Alferes, José Gonçalves, Victor Ribeiro, futuros fundadores e Presidentes da Direcção da Associação de Comandos e homens com um papel muito importante em 1975, no 25 de Novembro.

Em Moçambique, Jaime Neves comandou a 28ª Companhia de Comandos e, mais tarde, quando este se constituiu, o Batalhão de Comandos de Moçambique. É precedido por este currículo que vai, a partir do Verão de 1974, comandar o Regimento de Comandos da Amadora, uma unidade chave e que se tornará mais importante, à medida que as sequelas militares do PREC - indisciplina, saneamentos políticos, promoções de aviário, manipulação ideológica dos soldados e graduados - vão tornando as unidades militares cada vez mais apaisanadas e por isso mesmo de pouca ou nenhuma confiança, em termos de cumprimento da sua missão principal - a defesa da pátria, da sua independência e da sua liberdade.

Oficial patriota, Jaime Neves colaborou por algum tempo com o MFA, mas foi-se afastando à medida que se acentuaram no movimento, como dominantes, as linhas de radicalização esquerdistas e anti-nacional, através da aliança progressiva com o PCP e de uma descolonização irresponsável e vergonhosa, quer para os interesses portugueses quer para os interesses das populações dos territórios então descolonizados. Já no 28 de Setembro, Jaime Neves tinha o seu pessoal pronto e preparado, para fazer cumprir a lei. E teria sem dúvida removido as barricadas comunistas, caso para tal tivesse recebido ordens ou instruções de quem de direito. Que nunca chegaram.

Durante 1975, procurou fazer do Regimento de Comandos, uma boa unidade militar, enquadrada por oficiais e quadros com experiência militar de combate em África e com espírito de patriotismo, lealdade e camaradagem. O que não era fácil nesta época, em que, bem pelo contrário, algumas unidades militares se transformaram em bandos ou clientelas partidárias armadas.

Mas conseguiu-o. Deste modo, quando a resistência popular, iniciada no Norte do País, se foi estendendo para o Sul, intimidando o Partido Comunista e os radicais do MFA e fazendo-os pensar duas vezes nas hipóteses de êxito do assalto comunista ao poder, o Regimento de Comandos funcionou como uma ponta de lança, firme e forte, de resistência nacional, na área de Lisboa.

Jaime Neves desempenhou um papel fundamental ao longo do Verão de 1975, não só mantendo os Comandos como uma força disciplinada e não tocada pelo radicalismo subversivo, como estabelecendo, com os elementos da então criada Associação de Comandos, uma boa articulação que vai permitir através das duas companhias de antigos militares, "convocados", constituir uma força experimentada que actuará, decisivamente, no 25 de Novembro.”



Jaime Nogueira Pinto, In "Mama Sume", nº60, Junho 1995

sábado, 23 de novembro de 2013

Mouzinho de Albuquerque





"a força oprime temporariamente as nações, e as nações têm a faculdade de renascer pela reacção contra a força; mas da gangrena moral ninguém ressurge, não é essa gangrena uma das fermentações tumultuosas que transformam uns produtos em outros; é a fermentação pútrida, que destrói radicalmente o ser orgânico, que desagrega, que dispersa os átomos componentes." 
- Luís Mouzinho de Albuquerque

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

palavras de mestre Hipólito Raposo




"Nós somos monárquicos pela monarquia e não monárquicos por dedicação pessoal ao Rei.
Afirmado este elementar princípio da superioridade da Instituição sobre aquele que é o seu órgão mais alto, facilmente se compreende que, neste momento, a questão da legitimidade não tenha para nós importância.
No ponto de vista positivo em que nos colocamos, o nosso rei é aquele que melhor servir a utilidade colectiva, aquele que os interesses da Grei reclamarem para os tutelar.
É a legitimidade da conveniência política a sobrepor-se aos direitos do sangue..." 
- Hipólito Raposo

terça-feira, 19 de novembro de 2013

ser conservador




“To be conservative, then, is to prefer the familiar to the unknown, to prefer the tried to the untried, fact to mystery, the actual to the possible, the limited to the unbounded, the near to the distant, the sufficient to the superabundant, the convenient to the perfect, present laughter to utopian bliss.”


Michael Oakeshott no seu ensaio "On Being Conservative (1956)"

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

O piano de Chopin





O "Nocturne" do Chopin lembra um poeta sentado junto ao candelabro extraindo o mínimo da sua inspiração, como um ondular da frase que percorre o ineliminável sentido da existência, sem que com ela se preocupe verdadeiramente, essa preocupação é mais do contemplador. Porém, reclinado para si mesmo, o artista vive como um solitário prestes a alcançar esse ponto íngreme entre o céu e a terra (afinal, o inalcançável que apenas o sonho permite vislumbrar). 

Está entre o sonho e a terra que originou o sonho, como quem escreve: entre a semente e o fruto - e, perdida no hemisfério do homem solitário, sempre a vida irresolúvel. Aquela vida pendente nas mãos do homem que desejaria pertencer a outro destino, porém sempre refém do seu sofrimento, habitando as tendências da sua época. Porém, ao procurar imitar as tendências conhecidas, ao viver nessa redoma da civilização, na verdade supera-a. É a diferença entre o génio e o homem comum, no fundo duas entidades não muito antagónicos, o substracto que os separa é o ínfimo passo perpetrado pelo génio que o arranca do seu tempo para a história.

No fundo, estar um passo, mesmo que indizível, à frente da sua época.

Ouvir o piano com o "Nocturne" do Chopin é lançarmo-nos num batel rio abaixo, podia bem constituir um "rio impassível" ao estilo do Rimbaud, sem que complete o estado de loucura, antes apresenta o vazio preenchido apenas pela memória, enfatiza uma ilusão mais pendente no sonho do que no real, como se Proust viesse molhar a madalena no Chá.

Como nestes tempos andamos todos ansiosos com o futuro, talvez seja melhor descontrair problematicamente com o Chopin, no fundo, nunca realmente descansamos ao som da melodia, lançamo-nos antes para um espaço desconhecido.

terça-feira, 12 de novembro de 2013