quinta-feira, 30 de maio de 2013

co-adopção



Hoje na FDUC debateu-se a co-adopção, um banho de sangue, pensar-se-ia, no confronto que entrincheira os prós e os contras. Creio que nem correu mal de todo... Partilho algumas das opiniões de Marinho Pinto, é bom conhecer alguém que se demarca nas fileiras, alguém que ainda pensa pela própria cabeça. 
O Bastonário da Ordem dos Advogados foi claro, e cito: "a lei da co-adopção não favorece a criança" e acrescentou: "a lei é iniqua e injusta, o legislador esquece os direitos humanos da criança e cria novos direitos humanos. Os direitos fundamentais fundam-se na própria pessoa e são anteriores à lei".
Já conhecia os argumentos do Bastonário aquando da sua frontalidade no programa "Prós e Contras", onde aliás (contou em pleno debate) foi insultado durante o intervalo pela bancada de apoio à co-adopção, chamando-o de nazi e ignorante. Eis a (in)tolerância dos "tolerantes". Aqueles que se dizem apologistas dos direitos humanos praticam a violência (dita) fascista (como eles dizem), aparentemente, a esses senhores, não os incomoda rebaixar quem tem ideias contrárias apenas com o intuito de intimidar. Vejo tanto fanatismo de um lado, como do outro, os argumentos a favor e os argumentos contra a adopção de crianças por casais homossexuais acabam por cair no extremo, infelizmente, sem alcançar uma posição ténue, de respeito e de bom senso. Parece-me que, em primeira linha, a criança tem direito a um pai e a uma mãe, já foi esclarecido que é um seu direito fundamental, porém, entre estar aos cuidados de uma instituição, ou estar ao cuidado de um casal do mesmo sexo, não é equiparável. 
Será esta lei a grande conquista, como pretendem fazer crer? Não completamente. Certamente ninguém ignora que a lei da co-adopção vai "fazer entrar pela porta das traseiras" (como referiu o Bastonário) a lei da adopção. A lei da co-adopção nem será admitida pelo Tribunal Europeu dos Direitos do Homem que, de uma forma ou de outra, vai obrigar Portugal a promulgar a "lei da adopção".
Por fim, deixo um exercício de reflexão, que o próprio Marinho Pinto propôs: 
"Imagine-se que a criança pode escolher entre uma família em que pode ter um pai e uma mãe e uma outra família em que teria dois pais, ou outra em que teria duas mães, qual escolheria, se fosse hipoteticamente possível acontecer?" Marinho deu a resposta e eu sublinho-a: "A criança escolheria uma família onde pudesse ter um pai e uma mãe" porque a criança, também salientou o Bastonário, precisa de referências, precisa de exemplos, não é a mesma coisa ter dois pais, ou ter duas mães. Depois, não existe qualquer "direito a adoptar" (disse-o Marinho e concordou a Dra. Sandra Passinhas, professora de Direito da Família) existe sim um "direito a ser adoptado", este é um direito da criança. 



sexta-feira, 17 de maio de 2013

Soneto de Camões



este será o retrato mais próximo à verdade.
 

Os reinos e os impérios poderosos
que em grandeza no mundo mais cresceram,
ou por valor de esforço floreceram
ou por varões nas letras espantosos.
Teve Grécia Temístocles famosos;
os Cipiões a Roma engrandeceram;
doze pares a França glória deram;
Cides a Espanha, e Laras belicosas.
Ao nosso Portugal (que agora vemos
tão diferente de seu ser primeiro),
os vossos deram honra e liberdade.
E em vós, grão sucessor e novo herdeiro
do braganção estado, há mil extremos
iguais ao sangue, e mores que a idade.





Consta-se que terá dedicado a D. Teodósio II, não se sabe ao certo, será este um dos últimos sonetos de Camões, pois D. Teodósio II só regressa a Portugal em 1580, já depois da morte de Camões. De facto D. Teodósio II, da casa de Bragança, conquistou feitos valorosos desde tenra idade, o que corresponde também ao "braganção estado, há mil extremos/ iguais ao sangue, e mores que a idade."