quarta-feira, 24 de outubro de 2012

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Julius Evola e a tradição





Podem-se distinguir dois aspectos da Tradição, um referido a metafísica da história e a uma morfologia das civilizações, o segundo a uma interpretação “esotérica”, ou seja, de acordo com a dimensão em profundidade do diferente material tradicional.

Sabe-se que o termo tradição vem do latim tradere, ou seja, transmitir. Assim o mesmo tem um conteúdo indeterminado, pelo qual se observa seu uso nos contextos mais variados e profanos. “Tradicionalismo” pode significar conformismo, e acerca disso Cherterton disse que a tradição é a “democracia dos mortos”, assim como na democracia a maioria se conforma à opinião de uma maioria de contemporâneos, do mesmo modo acontece no tradicionalismo conformista o qual segue a da maioria daqueles que viveram antes de nós. Quiçá poucos sabem que o termo Qabbalah tem literalmente o sentido de tradição, mas aqui é em relação com a transmissão de um conhecimentometafísico e da interpretação “esotérica” da correspondente tradição, pelo qual se aproximamos acerca daquilo do que é a Tradição.

No que se refere ao domínio histórico, a Tradição vincula-se aquilo que poderia denominar-se como uma transcendência imanente. Trata-se de uma idéia recorrente de que uma força do alto atuou em uma ou outra área ou em um ou outro ciclohistórico, de modo que valores espirituais e supraindividuais constituíram o eixo e o supremo ponto de referência para a organização geral, a formação e a justificação de toda realidade e atividade subordinada e simplesmente humana. Esta força do alto é uma presença que se transmite, e esta transmissão de dita força, que se encontra por cima das meras contingências históricas, constituía justamente a Tradição. Normalmente a Tradição tomada neste sentido é levada por quem se encontra no vértice das correspondentes hierarquias, ou por uma elite, e em suas formas mais originárias e completas não há um separação entre o poder temporal e autoridade espiritual, sendo a segunda, em matéria de princípios, o fundamento, a legitimação e o crisma da primeira. Como exemplo característico se pode citar a concepção extremo-oriental do soberano como “terceira força entre o céu e a terra”, concepção que se reencontra na realeza nipônica cuja tradição persiste até hoje.


Julius Evola(1968). O arco e a clava.
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