quarta-feira, 18 de julho de 2018

O último dos Czares

Foto de Daniel Sousa.


Nicolau II permanece um enigma, dele recebemos a imagem benevolente e santificada que muitos contemporâneos certamente não entenderiam e, provavelmente, olhariam com sarcasmo. Homem de família e homem de fé, destinado a assumir as rédias de um império imenso, nas suas mãos repousava um esforço colossal digno de Ivan IV ou de Pedro o Grande, infelizmente não esteve à altura do desafio homérico, quase sobre-humano, de levantar uma terra esgotada material e espiritualmente. Foi talvez o homem errado no tempo errado, incapaz de interpretar as necessidades reformistas e firme na manutenção da autocracia.

Quase sempre vem acrescido de boa moral aquele simples desabafo que sói acrescentar que, caso nascesse na Inglaterra, Nicolau II teria dado um bom rei constitucional... não parece plausível! Fosse educado como os primos ingleses, hipoteticamente, talvez o pudéssemos admitir. Conquanto, referimos um homem que, apesar do deficiente manejo do poder, compreendia o desígnio da autocracia e jamais admitiria partilhar o poder ou cedê-lo, não cabia na sua interpretação que o rei reinasse e não governasse. A opinião em relação aos políticos liberais tão pouco conhecia comoções maiores, a desconfiança que lhes movia era proporcional ao ódio às revoluções. Certamente não seria um bom rei à inglesa mais do que um bom autocrata à moscovita. Nascesse noutro tempo, onde conhecesse circunstâncias mais benignas, talvez sobrevivesse ainda que ameaçado no meio da contestação. Foi o destino quem o empurrou para a encruzilhada do Apocalipse.

Reinou sobre o caos e foi devorado pelo caos. No intrincado mundo da burocracia administrativa o Czar movia-se sobre um poder labiríntico. De carácter indeciso e dolente o poder autocrático do Czar parecia mais uma fragilidade do que um benefício. Depois das reformas de Alexandre II e do governo de força de Alexandre III, o reinado de Nicolau II converge em tensão, a ansiedade cresce nos espíritos jovens, os assassinatos políticos estão na ordem do dia, impelindo à memória a máxima de que "a Rússia é uma autocracia temperada pelo assassinato". O sentimento não era novo, desde os Dezembristas, ainda no alvorar do século, aos primeiros niilistas, florescidos no amadurecer do século XIX, aliás bem retratados no romance de Ivan Turgueniev, "Pais e Filhos", a corrente de opinião avançava em desafio às tradições, à religião e à monarquia. O espírito de ansiedade é bem capturado por Dostoievski em romances memoráveis, como "Crime e Castigo", "O Irmãos Karamazov" e "Demónios", este último certamente uma incisiva advertência ao espírito virulento da revolução. Pesaroso e místico Soloviev transporta o seu anticristo à visão apocalíptica que parece predizer o futuro da Rússia. 

Neste clima é coroado o jovem Nicolau. Incapaz de reformar o sistema permaneceu um prisioneiro na redoma da autocracia. A mística também se apoderou dos factos, a presença de Rasputine terá sido demasiadamente demonizada e mistificada, o mujique inteligente cativou certamente a família imperial com o seu poder de persuasão e carisma quase hipnótico.  A hemofilia do jovem herdeiro pesava como uma sina fatal que Rasputine amenizava. Atribuindo ao monge poderes curativos os Romanov acolheram-no como a um sinal divino, mas tal proximidade apenas deixou um lastro de desconfiança entre cortesãos. A nobreza não perdoou o gesto de confiança a um camponês siberiano. Sem que possamos realmente classificar a influência que exercia sobre o Czar, a verdade é que a fama do curandeiro criou uma mítica quase tão grande quanto o ódio que lhe moviam. O seu assassinato foi mais um fenómeno pitoresco, digno de uma tragédia clássica, que contribuiu para o descrédito de uma família deteriorada face à nova opinião pública burguesa e esclarecida. 

Num império de nacionalidades cresciam os nacionalismos, e num clima de profundas cisões sociais crescia a revolta. A violência social não era nova e remonta aos tempos de Stenlna Razin no século XVII, o temeroso cossaco que dirigiu a revolta dos servos contra o poder do Czar, encarnando um folclore rico que encheu canções e lendas populares. Ou a revolta de servos liderada por Pugachev contra Catarina II (a Grande), abalando em força o Império, também popularizaram o espírito de rebelião contra o poder centralizado. As revoltas de camponeses e servos na Rússia quase sempre lançavam o estribilho da guerra civil. No descontentamento contra a autoridade e contra a administração era inevitável. Mas a nova rebelião avançava de forma mais perversa, não se tratava da mera reivindicação, mas de um propósito ideológico mais sinistro. A inteligentsia designava então uma camada social própria, referindo-se ao grupo de intelectuais grandemente saídos da nobreza, que se reuniam para conspirar contra o sistema, isto é, contra a ortodoxia e contra o Czar. Demarcavam-se pelos seus hábitos, pelos seus costumes, pelas suas ideias, constituindo verdadeiramente uma nova subcultura no seio da elite russa, mas que dela se repugnava primando por um retorno às origens, uma vida em comunhão com a classe do campesinato e uma vida em harmonia numa nova sociedade de igualdade. Para alcançar os seus objectivos usam da violência, estão dispostos a matar e a morrer pela sua causa. 

Entre a Rússia do campesinato e da mundanidade viva uma outra Rússia, cosmopolita e moderna, que enchia os salões de São Petersburgo, uma Rússia que deu os maiores nomes da literatura, a chamada "Era de Prata", que conciliou o melhor e mais inovador que no ocidente havia. Uma elite de artistas que revolucionou as artes e deu nomes que foram do realismo e naturalismo ao inovador impressionismo e, ainda uma década antes da revolução social, introduziu a revolução nas artes através do expressionismo. 

O período de maior crise acompanha o desastre da derrota frente ao Japão. O momento aprofunda as diatribes e desvelam a terrível verdade, a capacidade militar da Rússia é fraca, aliás, suficientemente disciplinada para manter a ordem interna mas face a um conflito externo revelar-se-ia um desastre. O Império na sua dimensão consegue mobilizar milhares para a guerra e pela dimensão da sua geografia consegue assegurar a impenetrabilidade da Santa Rússia, mas é em tudo um paradoxo, este gigante caminha com pés de barro, e o rastilho de pólvora que o devorará partirá do próprio interior, mais do que da ameaça exterior.

Das políticas reformistas e modernas, de Witt a Piotr Stolypin, a nova vaga de reformistas promovem o rápido desenvolvimento social e económico. Mas todo o progresso transporta no seu seio as consequências inevitáveis da própria destruição, quando não conduzido no zelo da disciplina e na prudência dos estadistas. A tensão social crescia, as políticas económicas impopulares de Witt acompanhavam o recrudescer dos zemstvo e corpos cívicos cada vez mais reivindicativos. Nicolau II não interpreta as contestações e promove a linha dura da autocracia. Há cada vez mais uma ruptura entre o Estado e a Sociedade que dramaticamente agrava a incapacidade e diálogo com as novas reivindicações sociais. Mas foi exactamente a politica de Witt quem faz o Império avançar economicamente, um crescimento que não se repetirá até ás políticas de Estaline em 1930. A produção industrial conhece um crescimento de 8% por ano, muito superior ao dos EUA. Outro paradoxo que converge na ineliminável tensão: o progresso aumentava os conflitos sociais, o Domingo Sangrento de 1905 seria já um pronúncio. Acompanhando o desenvolvimento industrial e a difusão do proletariado uma nova força política avançava. O marxismo começava a ganhar fileiras entre a inteligentsia e seduzia grupos junto ao proletariado urbano. O Partido Social Democrata dos Trabalhadores Russos foi oficialmente fundado em 1898, mas os círculos marxistas existiam já na capital do Império e difundiam-se entre as camadas letradas. O capitalismo aparecia como um mal, mas um mal necessário que aceleraria a revolução comunista. 

No manifesto de Outubro o Czar promete reformas políticas. Nas quais não acreditava inteiramente. Em 1906 aceita constituir a Duma e uma Constituição. Se a Rússia entrou na era do constitucionalismo liberal permitindo a evolução pacífica, pelo menos até 1914, é discutível. As reformas não pacificaram a sociedade nem os radicais, criando aliás um clima de tensão crescente.  O Duelo entre a Duma e o Czar criava fricções e a breve promessa liberalizante parecia um devaneio. Foi Stolypin quem deu novo alento ao regime, face à derrota militar urgia lançar novas políticas e sobretudo promover políticas que amenizassem as tensões sociais. As reformas de Stolypin permitiram desenvolver um sistema de agricultura capitalista, mas foram mais recebidas com revolta por parte do campesinato russo do que com comoção. 1908 terá sido um ano relativamente calmo, com 1800 funcionários mortos e 2083 terem sido feridos depois de um ataque motivado por razões políticas.É verdade que os partidos políticos tinham sido legalizados, assim como os sindicatos, mas os sindicatos de ofícios eram geralmente encerrados pela polícia e os membros do partido socialista revolucionário corriam o mesmo risco de serem presos. O próprio Stolupin acabaria também assassinado, o século XX acelerava então o seu curso nas terras eslavas e fazia antever o pior.

A entrada da Rússia na guerra de 1914 mobilizou a generalidade da sociedade num sentido patriótico. Lenine, no exílio, constatou como a guerra mais não era do que um conflito imperialista, pelo que aguardava a derrota da Rússia e assim precipitar a guerra civil e a revolução. A onda de patriotismo não deixa de ser um sintoma primancial da mobilização das massas, os discursos, os hinos, a aparição do Czar na varanda do Palácio de Inverno ao som do "Deus salve o Czar" transmitia uma sensação de optimismo e de confiança que não mais se repetiria. Entre a elite e a opinião pública mais esclarecia a participação na guerra não foi pacífica, o sentimento razoável e pragmático demovia tal aventura, mas depois da derrota contra o Japão e ciente da missão quase sagrada em defender a Sérvia, aliás devaneio caro ao pan-eslavismo e ao nacionalismo de finais de oitocentos, acalentava expectativas maiores. Na perspectiva do poder a entrada na guerra faria esquecer a velha derrota e acalentaria uma nova unidade nacional, estavam quase certos, o que não calcularam foi o tempo, a dimensão e o esforço necessário para manter o povo na dianteira desta empresa. Com o passar do tempo, a guerra revelaria a vulnerabilidade do regime e a sua legitimidade tornava-se periclitante. A opinião pública aplaudia as vitórias militares mas não tolerava derrotas, aos poucos, na constatação de que o regime perdia o controlo das circunstâncias, começaram a retirar os apoios à autocracia.

 Também as reformas foram postas de lado, em tempo de guerra não se pensa em liberdade. Mas essa mesma teimosia revelar-se-ia a sua fraqueza, blindar a autocracia tornou-se mais um exercício de força e de incoerência. Quanto mais procurava exercer a força contra a revolução  mais as forças da desordem usavam da violência. Em conflito com as reivindicações o Czar suspende a Duma, em 1915, e assume o  comando do Exército. Desloca-se à frente de batalha e deixa o governo na mão de alguns escolhidos e da mulher. Deixar o poder nas mãos de uma princesa alemã quando a Rússia combatia a Alemanha revela uma ingénua simpatia e falta de senso político. Tão pouco o próprio Czar tinha sangue russo, também ele mais alemão do que russo, particularidade irrelevante ao espírito de confiança do povo que, desde sempre, chamava ao Czar de "paizinho". Contrariamente a opinião pública exerceu uma feroz crítica contra a Czarina e o seu conselheiro Rasputine. As exigências da guerra e a intransigência da autocracia arrastariam a Rússia para o abismo. O Estado perdia o contorlo na requisição de comida e as conturbações sociais de 1905-6, amenizadas mas não eliminadas, agora ressurgiam em dimensão  superior.

Poucos contemporâneos imaginariam que uma dinastia de trezentos anos pudesse acabar em poucos dias. Mas a insustentabilidade da autocracia revelava-se um fardo demasiadamente pesaroso. Cercado, abandonado e traído, o Czar aceitou abdicar. Ironicamente a sua abdicação foi ilegal, pois violava a Lei da Sucessão de 1797. O último fôlego da autocracia antes de desmoronar, a partir desse momento Nicolau passou a caminhar em direcção do abismo, aquele que viria a conhecer numa madrugada de 1918, em Ecaterinemburgo. 

sábado, 14 de julho de 2018

O despertar do Leviatã (Considerações sobre a Revolução)

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A história desapaixonada do violento surto jacobino não deixa margem para dúvidas, a Revolução Francesa matou mais num ano do que a Inquisição Espanhola e Romana em três séculos (1) e foi mais sanguinária do que as guerras religiosas. E quem julga (ingenuamente) que consubstanciou alguma "justiça social" em nome da liberdade e da igualdade desengane-se, dos mortos (assassinados) na guilhotina, apenas 8% eram aristocratas, enquanto que mais de 30% provinham de classes populares, e mais de 297.000 assassinados em nome da revolução provinham de classe-média ou classe-média baixa (2).

Em 1793 (como o imortal romance de Victor Hugo também recordou) mais de 10.000 vendeanos foram massacrados numa guerra contra as injustiças perpetradas pelo governo da revolução (o mundo de justiça prometido jamais vingaria) e, nos dias seguintes à guerra, o massacre continuou. No total, contabilizaram-se cerca de 250 a 300 mil mortos (o número não é pacífico mas não obscurece a chacina e o genocídio levados a cabo) nos campos da Vendeia, o que equivale a mais um terço dos habitantes da província.

A análise de Tocqueville (3), recuperada por Furet no século XX, é uma invocação necessária, afinal a revolução apenas acelerou e consolidou o processo que a monarquia tinha iniciado (e não foi uma ruptura, ou a construção de um mundo novo rousseauniano ao estilo do "bom selvagem", como poeticamente tentam fazer crer),a revolução recrudesce no quadro da centralização e burocratização administrativa e na destruição da sociedade de ordens (análise onde Maurras falhou). A maquinaria administrativa tinha sido inventada pela monarquia absoluta e agora, simplesmente, era controlada pelos "republicanos" revolucionários que apenas souberam ir mais longe na centralização, proclamando a "nação una e indivisível". Por exemplo, uma novidade da revolução estava na criação de um exército nacional, era o próprio estado quem mobilizava milhões para a guerra e com esse exército, primeiro os jacobinos, depois Napoleão, aterrorizariam a Europa.

Ao mesmo tempo, ali nasceu uma fórmula nova que bem ensinou a modernidade. A linguagem reinventada como propaganda, a mobilização das massas, as sementes das ideologias modernas (liberalismo, socialismo, comunismo, fascismo) teriam ali inspiração. Um poder totalitário futuro avizinhava-se apoderando-se do objecto concebido na teorização do iluminismo e na crença da supremacia da nação que substituiu o rei na hierarquia do estado. Um estado todo-poderoso emergindo como nação(4): um estado que tudo controla, tudo decide, sem corpos intermédios que lhe façam frente, sem contra-poder para impedir a sua gula insaciável, que tudo determina, tudo legisla, em torno de si tudo gira, fora de si nada vive.

Tocqueville, na sua obra magna "O Antigo Regime e a revolução", obra desapaixonada e livre de preconceitos tão profundamente incisiva no fenómeno revolucionário que abalou a Europa e cuja análise ainda hoje serve de referência, cita a observação de Mirabeau, em carta a Luís XVI. Quando confrontado com a revolução, então derrubando todas as instituições e todos os costumes que tinham mantido a hierarquia e as regras da sociedade, o aristocrata (ainda que liberal e ainda que maçon) fez observar ao seu soberano como podiam jogar com a situação em seu favor, dizendo "é evidentemente favorável ao governo monárquico" e acrescenta de forma lapidar: "A ideia de formar uma só classe de cidadãos teria agradado a Richelieu: esta superfície igual facilita o exercício do poder. Alguns reinos de um governo absoluto não teriam feito tanto em prol da autoridade real que este único ano da Revolução."

Claro que Mirabeau não previu a dimensão catastrófica e anárquica do fenómeno, mas não deixa de ser interessante como determinou a essência. Que magnífico mundo criou a revolução em nome da qual os franceses mandam foguetes e fazem tinir as esporas na Avenida dos Campos Elísios? Afinal, como analisou Tocqueville, a revolução, no efervescer da turba, limitou-se a substituir a aristocracia por um corpo de funcionários, os privilégios locais substituí-os pela uniformidade das regras, a diversidade dos poderes pela unidade de governo e, socialmente atiçou as invejas, as vendetas particulares, as ambições da burguesia e dos banqueiros que financiaram a catástrofe. Os pobres e desprotegidos, os camponeses e os trabalhadores, outrora livres nas suas corporações e nas suas ordens, com o tempo ficariam subjugados a um poder, quantas vezes mais cruel do que o antigo (veja-se o massacre de milhares camponeses na Vendeia). A revolução foi, ao mesmo tempo, o seu libertador e o seu tirano, foi a esperança e as trevas.

A revolução francesa fez poderoso e indestrutível este Leviatã que hoje nos subjuga... Mas Mirabeau tinha razão numa coisa, faria sem dúvida inveja a Richelieu...


Daniel Sousa

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(1) (os dados são de Samuel Henry Kamen do livro "The Spanish Inquisition - a Historical Revision",Yale University Press, 27/05/2014 )

(2) (os dados são oferecidos por Kuehnelt-Leddihn, Erik, "Operation Parricide: Sade, Robespierre & the French Revolution").

(3) TOCQUEVILLE, Alexis, "O Antigo Regime e a Revolução" editora UNB, tradução de Yvonne Jean.

(4) Gracchus Babeuf (1760-1797) foi um dos inspiradores do poder do Estado para refazer a sociedade, esse mesmo estado todo-poderoso deveria controlar toda a economia para superar a exploração capitalista, antecipou Karl Marx e Lenine.

terça-feira, 10 de julho de 2018

Lenda Negra




Relatos mostram, também, que caso alguém intervisse em defesa dos condenados, poderia ser também executado, uma vez que a população, munida de uma “fé ardente”, não aceitava desrespeito às suas crenças, tal como elucida J. Bernard (2008, p. 20). Estima-se, de acordo com dados contidos em “Inquisição: história, mito e verdade” (2008), de J. Bernard, que 50.000 suspeitos de bruxaria foram mortos, em grande maioria mulheres inocentes. Número esse de vítimas dos “tribunais leigos” que, para Bernard, supera absurdamente o número de condenados a morte pela mais terrível das Inquisições, a espanhola, que em três séculos de existência condenou a morte doze 
“bruxas”.


sexta-feira, 15 de junho de 2018

a opinião pública deve estar subordinada ao bem comum


Como resultava da Constituição de 1933 a opinião pública é admitida e o Estado deve defendê-la de "todos os factores que a desorientem contra a Verdade, a justiça e o bem comum". Esta dimensão deve ser tida em conta na medida em que nem tudo no espaço público deve ser admitido, a ideia liberal de que todas as opiniões têm o mesmo valor (geralmente uma liberdade de expressão desenfreada e sem controlo), admitindo o erro, não pode ser tolerada. 

Depreende-se a influência da Doutrina Social da Igreja, pois que o limite da liberdade é o bem comum e a ordem pública.


terça-feira, 5 de junho de 2018

Monarquia e catolicismo

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“A hereditariedade monárquica é o princípio mais perfeito de governo que a experiência dos séculos nos ensinou. São seus atributos permanentes a unidade, a estabilidade, a constância, a transmissão pacífica e regular dos poderes, a garantia da ordem, o progresso incessante das ideias e dos costumes sob a guarda de uma força que não muda nunca e que à Pátria empresta figura humana. Não se trata de copiar as antigas instituições, apenas é preciso completá-las e aperfeiçoá-las. Aquele que sabe recordar é sempre também o que melhor prevê.” [1]

 “A causa da Igreja e a causa de Portugal confundem-se. Um inimigo da Igreja é um inimigo de Portugal.”

“Se os reis fizeram a Patria, os bispos e o clero foram os seus primeiros cooperadores. Está historicamente demonstrado que o que tornou Portugal forte e grande foi a união estreita da Igreja com a Monarquia.”[2]

citado por Gonçalo Sampaio e Mello, in  Luís de Almeida Braga ou o elogio da derrota, de BRAGA, Luís de Almeida, Paixão e Graça da Terra [1], O Culto da Tradição (1916). 

quarta-feira, 25 de abril de 2018

25/04




“Os cravos do 25 de Abril fanaram-se sobre um monte de esterco… Os militares portugueses, sem nenhum motivo para isso, fugiram como pardais, largando armas e calçado, abandonando os portugueses e os africanos que confiavam neles. (…) Foi a maior vergonha de que há memória desde Alcácer Quibir (…) Era natural que os capitães quisessem voltar depressa para casa. Os agentes do MFA exploraram e deram cobertura ideológica a esse instinto das tripas, justificaram honrosamente a cobardia que se lhe seguiu. Um bando de lebres espantadas recebeu o nome respeitável de “revolucionários” (…) Com estes começos e fundamentos, falta ao regime que nasceu do 25 de Abril um mínimo de credibilidade moral. A cobardia, a traição, a irresponsabilidade, a confusão, foram as taras que presidiram ao seu parto e, com esses fundamentos, nada é possível edificar (…).”

António José Saraiva